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Me chamam de Ôbèron, estou radicado em Sampa e cultuo os ritos ancestrais desde a infância, meus irmãos: a chuva que purifica, o vento que canta, o frio que cala, o fogo que fustiga e os gatos que são a própria noite... oberon123@hotmail.com

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[Segunda-feira, Outubro 17, 2005]

Tem acontecimentos distintos e distantes que inacreditavelmente têm uma ligação invisível, trançando uma sutil teia de aranha e que até o último ato não nos apercebemos de tal entrelace, tal conjuminação...
O que começo a narrar aqui agora se passa entre o natal de 2003 e chega em seu desfecho nos dias de hoje...


Quando olhei para ela saindo da sala onde todos a hostilizaram durante a apresentação de seu projeto, e antes de fechar a porta proferir charmosamente o comprimento "uma boa tarde para todos" feito linda Mata Hari mandando beijo para seu pelotão de fuzilamento percebi que estava errado no meu conceito em relação à sua pessoa em alguns pontos (ou em vários).

. Sinais de Malaquita .
parte I

Ainda era escuro quando acordei. Parecia engessado, meio múmia meio Homem Bicentenário. Rolar para um lado e para o outro foi o que me limitei a fazer naqueles primeiros quinze minutos. Agora eu entendia exatamente o que caixeiro-viajante Gregor Samsa, de Kafka, sentiu quando depois de seu sono intranqüilo despertou barata em sua cama.
Olhei para a direita onde estavam toda a parafernália que deveria mostrar para a bancada do conselho no projeto do mês e, resignado, levantei com certo custo e largatiei até o banheiro, afinal o trabalho me chamava. Às vezes me pergunto quantos quilômetros tem entre meu quarto e aquele banheiro, acho que muitos.

Por uma fração de segundo pareceu-me ter visto um grande besouro verde na parede, numa visão meia etérea. Mas quando fixei os olhos ali nada vi. concentrei-me nas minhas higienes e fui logo rumo à agência.
Na confusão de carros e pessoas daquele dia que beirava o natal eu observava as gentes pelas ruas, pelas lojas. Sempre é complicado o movimento pela cidade nesta época. Enquanto dirigia ainda pensava na conversa que tivera dias anteriores com amigo sobre a grande onda vampírica que estávamos assistindo, e de como num passado recente lutávamos ferrenhamente contra isso e tudo que representava. De quantos de nós havíamos dedicado boa parte da vida para combater Demólatras (com o perdão do termo impróprio), Vampiros, Magos Negros carnados e desencarnados. E agora está tudo assim, mudado, chic e cult.

Questionávamos se nossos conceitos estavam ultrapassados e obsoletos, desnecessários. Se tínhamos, devido a nova conjuntura mística, nos transformado em maniqueístas ranhetas, ou será o submundo havia dado o grande pulo do gato? Tantos filmes, abundante literatura, joguinhos, lojas especializadas, grupos... não chego a uma conclusão. Só não mais conseguia esconder que me chamava a atenção a grande egrégora Vampírica assumida que estava se formando em volta do planeta. Havia uma grande curiosidade coletiva em relação à Senda Drenadora, ao obscuro, ao caos. Seria isso o reflexo de nosso momento planetário? Ou um momento de sucesso dos debelados eternos que se escondem nos abismos profundos da Grande Esfera e de lá assopram silenciosos seus aromas em nossas almas? encosto o caro numa esquina e vou até um supermercado próximo da minha agência.

Dentro, caminho até a sessão de higiene e perfumaria. Desodorantes, cotonetes, o que mais? Passo a passo vou-me pelo corredor de gôndolas baixas. entre xampus e sabonetes sinto uma energia diferente direcionada para mim. A princípio não levanto o olhar e continuo a observar os produtos ao mesmo tempo que tentava decodificar e rastrear aquelas cutucadas astrais.
Agora observo as pessoas que por ali compravam, mirando uma a uma. Mas que, quando observo uma mulher quarentona me olhando com certo olhar pedante, quase debochado, mas altamente sexualizado, era dela que minava aquela energia. Usava em seus cabelos um Enê Marú castanho acobreado, traço finos e postura confiante. Fui andando pelo corredor ao seu encontro tranqüilamente, podia sentir uma energia densa, quase material vindo da mulher. Ainda me olhava com um sorriso confiante e com desdém. Ao diminuir para dois metros nossa distância percebi um detalhe verde em sua pele. Uma tatu de um escaravelho verde guardava seu colo. Veio como um relâmpago a lembrança do etéreo besouro do meu banheiro, explodindo em minha cara como uma torta de limão.

-Ê aí, maluco!! - batendo em minhas costas era meu amigo de trabalho. Me puxou de canto e começou a perguntar coisas sobre nosso projeto de logo mais. Ainda olhei para ela lá trás mas já estava caminhando para o caixa. Antes de sair ela ainda olhou para mim e saiu. Fiquei ligeiramente aborrecido com aquela abordagem dele pois me parecia ali que algo ficou por acontecer, que foi interrompido. Uma situação que precisava acontecer.
Ao estacionar em frente do trabalho, como de praxe, comprimento seu Rosalvo, capixaba que ganha seu dia vendendo cachorro-quentes ali em frente. Pergunto a ele: -E então, seu Rosalvo, lá na sua cidadezinha do interior do Espirito Santo o senhor ouvia falar em lobisomem e vampiros, essas pirações? ele olha para mim, pensa uns instantes como quem escolhe o impropério a dizer e solta "olha, se você tivesse nascido lá eu certamente tinha ouvido algum assunto sobre estas besta-fera!". Eu não entendo por que ele sempre acha que estou de sacanagem com ele.

Vou até a sala de meus parceiros neste projeto e espero a hora da apresentação para o cliente. Mas ainda sinto algo pairando no ar, um "abalo na força", parafraseando Anakin Skywalker.
Sinto que algo quer me falar, os sinais aparecer, mas estou ansioso pela apresentação, não consigo captar as informações que batem em mim. É nestas horas que eu me ressinto de não ter praticado mais aquelas aulas de yogua.

ainda penso na situação interrompida...



por Ôbèron * Segunda-feira, Outubro 17, 2005
o verbo:

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[Sexta-feira, Setembro 30, 2005]

Nestes tempos de incompreensão,
nestes momentos de crudeza espiritual,
nestes instantes de censura intelectual,
nestas horas da vigia do grande irmão.
nestas épocas em que vivo sufocado
lanço mão de minhas palavras
escritas já faz muitas primaveras...

Me deixem ser quem sou
para que possa aceitá-los
como são:

. Deixa

Deixa eu e o meu cadinho.
Deixa eu e minha roupa rasgada.
Deixa eu e minhas andanças noturnas.
Minhas batas, minha espada e athame,
Meus gênios
e minha falta de lógica.
minha dança e meu assovio.

Não quero a sua salvação anunciada,
sua América católica,
funcional, engessada.
matrimonial e democrata.

Queres que eu use seus mocacins?
não aceitas minha alpercata,
de dedos nus.
Sou subversivo, antagônico, conflitante,
Deixa-me no meu círculo,
no meu esbath, de peito aberto,
em cantiga,
não obediente, como o carneiro de Abraão.
mas livre, como um potro de pan.

Não me julga, pois nesse tribunal serei revel.
Mas não fugirei de mim mesmo,
não mais.
Não adoro o Nazareno,
nem por isso sou corsário,
Lança longe de mim sua coroa de espinhos,
traga-me a girlânda de Urânia, cheia de louros.
Ela não carrega os bons costumes,
nem o prugatório,
Mas não quero o Paraíso de João,
desejo Valhala de Tera.
Não quero Maria,
imaculada e piedosa.
Desejo Babalon.
rubra,
lânguida e robusta.

Não quero beatas,
cativas.
quero bruxas,
lobas,
quero amar a mulher
como o cão ama uma cadela.
No chão, lambendo,
sem culpa, lascívo,
revelando meu cabritismo,
longe do pecado.

Você não entende meu amor lunar.
Abomina minha Gaia,
Pois ela não sussura hipócrita
nos umbrais das catedrais.
Ela grita alto nas campinas,
Ôbèron, amante de Titânia!

Se sou filho de Baphometh? talvez.
Ou de Cernunnos, de Vênus.
mas sou Corifeu e envitado.
Não tente calar meu uivo pagão,
pois não me terá nos coros
das ladainhas apostólicas.
Sou descendente e sou o ancestral.
este filho de Hecate não
beberá de tua taça,
não renderá sua alma ao pontífice,
esqueça-me.
Deixa eu e o meu cadinho.

eu e meu cadinho.

por Ôbèron Outubro 2001


por Ôbèron * Sexta-feira, Setembro 30, 2005
o verbo:

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[Segunda-feira, Setembro 19, 2005]

Sêcas folhas rodopiam na escadaria

Ôbèron? Sim, eu já ouvi falar. Era um cara estranho, que cultuava Deuses Antigos, tão antigos quanto a noite de los tiempos. Amava dançar ao vento e vagava solitário entre os tortuosos labirintos de sua mente obscura e que, inocentemente, acreditava que sempre sua grandeza interior imperaria sobre sua mediocridade aparente.

São cinco da tarde e pelos becos de Sampa venta frio valentemente. Vou descendo a escadaria que dá acesso à rua onde meu carro está estacionado.

Minha cabeça ferve, este final de semana deu tudo errado. Sabe aqueles dias onde nada acontece como o esperado? pois bem, este foi meu final de semana.

Desço apressado; encapotado, o vento castiga.
Barulho.
Paro.
Miro.
Minha atenção se prende no redemoinho que se faz na escadaria, as folhas sêcas rodopiam na minha frente. Observo, me encanto. Durante todo o final de semana é o primeiro momento onde meus pensamentos saem da contração inevitável da pressão dos dias. Me permito hipnotizar pelo bailado das folhas de mãos dadas ao vento. Entro dentro do redemoinho, assim como se esperasse resultado místico, abro os braços, já esperando um saci dali sair, ou quem sabe o próprio Éolo.
Muito barulho.
Danço.
Sorrio.
Sinto folhas batendo mo meu pescoço e rosto, desço a escadaria em desabalada carreira, no afã de acompanhar o vento, quem sabe ele me leve junto com ele.
Estouro na rua num salto só. Fred Astaire. Chuto uma caixinha de papelão, risadas, frenesi. Os transeuntes se espantam, riem, se benzem, outros xingam. Eu e o vento corremos, ignorando toda a vida (morta) a nossa volta. Somos um só. Algazarra. O vento num drible Mané Garrincha se esquiva e foge para longe de mim, ele para uma esquina eu para outra. O carro? dezenas de metros já ficou para trás. O que importa. Corro, pulo, será eu um pobre enfêrmo tomado por surto esquizofrênico? ...possivelmente... ...provavelmente...
que importa?

Volta feliz e irreal no quarteirão. Entro no carro. Silêncio, frio, folhas no casaco. Vamos para casa.
Este final de semana, de alguns minutos insanos eu lembrarei.

Ôbèron? Sim, eu já ouvi falar. Era um cara estranho, que cultuava Deuses Antigos, tão antigos quanto a noite dos tempos. Amava dançar ao vento e vagava solitário entre os tortuosos labirintos de sua mente obscura e que, inocentemente, acreditava que sempre sua grandeza interior imperaria sobre sua mediocridade aparente.


por Ôbèron * Segunda-feira, Setembro 19, 2005
o verbo:

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[Sábado, Agosto 20, 2005]

Então o sonho acabou? era tudo um embuste?

Onde estão todos? todos meus companheiros da resistência, lembro que nos reuníamos a noite uma vez por mês nos jardins inclinados do Centro Cultural São Paulo e declamávamos subversões contra a porra do mundo e críamos poder mudá-lo em meio a nosso etílico transe profundo. Onde estamos todos nós agora? Sim, seu sei, lá se contam uns 15 anos, mas e daí?

Só nos restou nossa indignação muda e fragmentada pelos 4 cantos do país, cada um com sua família, admirando estupefato esta cultura podre católica hipócrita que corroe o fígado desta sociedade parasita que só quer mudança de suas rôtas bocas pra fora.

Então por que querem mudar minha crença? deixa eu e minha fé mal-falada. Eu na minha perdição. Nas minhas convicções inauteradas, inúteis e inábeis.

Pois fiquem em seus sofás-classe-média com suas famílias contaminadas por essa falsa moral. Eu estou porta à fora, de pés descalços, sem seguir mentes, como sempre seguindo idéias. Pois os homens e suas mentes mudam de direção conforme suas conveniências e interesses, as idéias permanecem, perduram.

Puta la mierda, Estou só.

Lembro ainda, e faz pouco tempo, quando eu e BlueWing, la bruja, estávamos fazendo rito maravilhoso na noite na mata e dado momento olhei para os lados e não vi mais ninguém, pensei comigo que não muito tempo atrás estava entre muitos, onde todos estavam que não ali? O rito foi maravilhoso, mas senti falta de todos que passaram e se foram. Não pelo simples fato de não estarem ali, pois é o destino da vida; mas por termos deixado de lado o sonho da mudança, da liberdade, da luta.

Terei eu que vestir uma camiseta branca com o símbolo da campanha do câncer de mama ou da Nike e um jeans para não ser multado pela sociedade civil ou amaldiçoado pelo padre? Dar sorrisos lobotomizados enquanto me esbaldo num bigmac no fast foot do palhaço Ronald ou ainda pior: ter de usar aquelas pulserinhas de borracha coloridas ridículas para me sentir um cidadão engajado?

Vamos, Feche a janela e cerre a cortina, meu amigo, e se esconda debaixo da cama, pois em breve ser diferente nessa trunxa de mundo será apologia ao crime. Ilícito inafiançável.

Mas fiquem atentos pois sairei pela noite e passarei merda na maçaneta da porta de vossas casas e cortarei vossas madeixas enquanto dormem. Fiquem atentos pois. Não deixarei nenhum cidadão ileso. Serei o ladrão de vossa tranqüilidade, o meliante furtador da sua passividade. Gothan jamais será a mesma.

Mas por hoje... por hoje só quero a minha bacante.


por Ôbèron * Sábado, Agosto 20, 2005
o verbo:

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[Quinta-feira, Agosto 11, 2005]

Frio na terra de Piratininga

Em Sampa tarde linda. Frio e Sol estão casados, me lembra a primavera da Bielorússia.
Dias sem abrir as portas, e tantas são as visitas e dizeres com palavras doces que me aquecem o meu enregelado coração de noites polares. Isso é importante, vosso carinho e lembrança, visitarei suas casas pela noite, onde vago, se me permitirem. Minhas sinceras apologias.

Devo dizer que vida minha neste período deu voltas e voltas a mais não poder. Na maioria das vezes para "falar" de coisas boas... muito boas, deveras. Zilhares de novidades tenho pra contar e logo o farei, se os Deuses da Prosa me permitir, bem como suas musas.

É época de mutações, transformações, aprendizado. Devo aceitá-las, não resisti-las. Vivê-las, em sua plenitude. Se as grades de meu Mausoléu foram arrebatadas, pois bem, que a fera que lá mora seja livre, ganhe os telhados da fria São Paulo. Megalópole Tupinambá. E do alto de seus espigões solte forte seu brado Desvairado e estremeça a noite de toda a Pindorama.


O Quarto de Eva.
As persianas semicerradas apenas deixam penetrar um tênue raio no quarto.
Essa mesma luz descobre uma mão de mulher de dedos crispados que arranham uma manta de peles.
O oiro de uma aliança brilha iluminado pela luz. Depois, deslizando ao longo do braço, a luz descobre o rosto de Eva Charlier...


Primeras linhas de "Les Jeux Sont Faits" ( Os dados estão lançados) de Jean-Paul Sartre

por Ôbèron * Quinta-feira, Agosto 11, 2005
o verbo:

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[Quinta-feira, Julho 07, 2005]

Madrugada Vermelha

Ao sair do meus mausoléu hoje pela madrugada não imaginava a dor que sentiria o mais adiante do dia. Pelo pasillo caminho e fico feliz pelas flores brancas e rosas que acabam de brotar, a roseira que começa a germinar vários "olhinhos" e me dá a certeza de muitas rosas na chegada da primavera.

O dia está lindo, muito frio, neblina e sereno. O prometeu como sempre me recebe com carinho e satisfação, tudo parece perfeitamente belo e comum, um dia como todos os outros...mas não é bem assim....

A sombra fétida e negra da alma humanidade não permitiria que tudo permanecesse assim, somente assim. Entro no carro. 90,5FM, CBN, o som do rádio está arrastado e solene...o radialista fala em voz grave e marcial..... eu paro, o vermelho do farol. Sua voz fatalista, o vermelho de sua língua. O menino malabarista na minha frente, o vermelho da bolinha de palhaço em seu nariz. A notícia, ataque em Londres, o vermelho do sangue de civis pelo chão ...da raiva vermelha do Terror.

Crianças, gestantes, anciões, pais de família...cidadãos. Mortos, agonizantes, marcados.... todos de vermelho. Vermelho.

Vermelho.

Rojo.

Minha mente dá voltas.. como? por quê? ....por quê?
Injustificável.

Às vezes dá vergonha da minha condição humana, da minha suposta inteligência primata, da capacidade de fazer conceitos. Somos tão belos, qual a razão de fazermos questão de trazermos do profundo de nós mesmos o lado mais sórdido do ser humana.

O inferno é aqui , aqui dentro da gente.
Quando imagino que conheço nossa alma a insanidade do homem sempre me surpreende.
As flores estão lindas em meu jardim, mas o inferno está aqui, ...dentro de mim.

Por quê?


por Ôbèron * Quinta-feira, Julho 07, 2005
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[Domingo, Junho 19, 2005]

Colorindo meu Árido Pensamento

Estou no telhado do Mausoléu, precisei subir, está uma tarde de ventania aqui, e eu adoro ventania. Então aqui estou soltando bolinhas de sabão e vendo-as sumir rodopiando pelos telhados, varais, cumeeiras e entrelaçando os galhos mais altos das árvores das cercanias.

Sempre que estou com dificuldades de pensamento ou me sentindo sem saída eu brinco de soltar bolinhas de sabão, que bobagem...mas é verdade, isso me desprende, observar estas bolinhas de colorido mutante, tão frágeis e que quando se findam, explodem felizes em gotículas que desaparecem do tangível como por encanto parece magia, sei lá coisas de Merlin, me deixa feliz, me deixa criança. E isso é para mim importante hoje, acreditem.

Quando menino, em dias de ventania como hoje, eu subia no muro e abria os braços para sentir o ventinho batendo na cara e entrando pela camisa. E eu olhava para o céu e cria com toda segurança de uma criança que aquelas nuvem brancas e gordas que navegavam apressadas no azul escondiam magníficos castelos onde Valentes Guerreiros Mágicos moravam neles e eu imaginava podendo subir até lá. Lembrando disso agora e olhando para estas nuvens, a idéia me parece tão possível, e por que não dizer ....tão provável....

Bem, deixa eu soltar mais algumas bolinhas de sabão ao ar antes de voltar ao mundo árido adulto, quem sabe algumas delas vão até aos valentes guerreiros das nuvens e estes as tomam como presente e como retorno me presenteiem como uma semana com várias vitórias diante de meus desafios-dragões da minha vida.

Desejo à todos, do profundo do meu coração, uma semana repleta de vitórias gloriosas e belas surpresas agradáveis.


"Delícia de estar sozinho na sombra tépida. Delícia de ficar sonhando, calado, vendo o cérebro pensar: Sem interlocutor, sem atitudes, descuidoso, abandonado, livre... Delícia de sentir, de ver que a luz do luar vai aos poucos invadindo o quarto, cheia de todos os ruídos da noite nova, de todos os perfumes do jardim."
Trecho de "Clarissa" de Érico Veríssimo (1905-1975)

por Ôbèron * Domingo, Junho 19, 2005
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[Quarta-feira, Junho 08, 2005]

Fim de tarde

No meu caminho perdido
encontrei você.
Em meio a fumaças de velhas lembranças
e brumas de novas ilusões

Justo quando não sabia onde estava
me encontrei no exato lugar
Que traria lo nuevo en mi vida.
Quando não achava lugar
neste mundo miserável de verdades,
mesquinho de calor,
Esbarrei consigo.
Você que mexe com meu conformismo,
que desdenha de minha tradição noturna
e traz em si o brilho do amanhecer.

...minha Estrela da Manhã.

Para um cara como eu escrever à luz do dia é como o vampiro que se lança fora do esquife ainda no lusco-fusco, desconforto na certa. Perigo de ver cinzas pelo ar.
Mas para mim que não posso depender do mensalão do Presidente é necessário trabalhar sempre, e sempre que possível, abrir as portas do Mausoléu. Bater a poeira, revirar as gavetas, desalojar as baratas. E o que vejo é bonito, agradeço as visitas todas e os coments, isso sempre é importante quando saio do sono que sempre me leva aos subplanos da existência.

Sempre me acompanhando nas andanças está o Prometeu, meu gato preto, que invariavelmente está trançando entre meus paços.

Quero registrar aqui uma nota fúnebre: meu amigo hamster Gaudi morrió mês passado, possivelmente queima de arquivo, pois era um roedor que sabia demais, era filiado ao PT e participava das reuniões de alta cúpula, creio até que devia estar metido em alguma maracutaia federal, sabe-se lá. Ultimamente estava estranho e já não aceitava mais labina nas refeições pois dizia participar das churrascadas de picanha da Granja do Torto regadas à Romanè. Que o Capiroto tenha misericórdia de su'alma.

Hoje tem Brasil x Argentina, parece que tudo parou e nada importa, o assunto é esse, nas campanas de cemitérios, nas mesas de cirurgia, nas marolas do piscinão de Ramos e nas cadeiras ginecológicas. Não consegui emendar um assunto merecível com alguém, é só essa m... de jogo. Mas tudo bem, Ôbèron, pacença, semana que vem tudo volta (quase) ao normal. Até lá mais umas 500 crianças morrerão de fome na América Latina, mas fazer o quê...

Bem, deixe-me recolher à minha insignificância em meu mausoléu,
.....pelo menos até a noite cair.


por Ôbèron * Quarta-feira, Junho 08, 2005
o verbo:

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[Quinta-feira, Maio 05, 2005]

Passagens no Luscofusco

Hoje fiquei vendo, no final da tarde, o sol cair em meio aos prédio no horizonte de Sampa. Aproveitando para pensar um pouco (tarefa perigosa...), ver as coisas como se sucedem à minha volta. Refletir, divagar...

Estou num ciclo muito desgastante e peremptório, de alta e baixa, de felicidade extrema e tensão enlouquecedora...e lá se vai energia...

Muitas vitórias que me trazem regozijo e derrotas ou batalhas sangrentas que trazem consigo enorme carga de estresse, por muitas vezes no mesmo dia. Meu esforço tem sido, nestes dias bicudos, arrefecer este "sobe e desce", esta mutação relâmpago das circunstâncias do meu dia-a-dia. Difícil.

Enquanto o sol descendente pinta o céu e as nuvens de um tom irreal e mísitico de rosa penso em todas as situações. Desejo que tudo se tranquilize. Haja yoga...

E acho engraçado como algumas pessoas se comprazem em criar situações desfavoráveis para si somente para se auto-comizerarem, e acabam envolvendo outras pessoas que lhe são próximas...ou não.

O>utra, a noite também não foi fácil pro meu gato, o Prometeu, voltou pela manhã mancando da patinha dianteira e cheio de arranhões (tadinho), pensei " a festa foi boa ontem...sic" O neguinho agora tá dormindo, descansando do tumulto.

Bem, o sol caiu, a noite negra se abancou e eu voltei aqui pra frente do pc e prancheta, esta noite será longa. Que os Deuses Ancestrais me inspirem nesta madrugada...

"cada um cuide de seu enterro, impossível não há" Jorge Amado




por Ôbèron * Quinta-feira, Maio 05, 2005
o verbo:

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[Quinta-feira, Abril 14, 2005]

Mientras no llegas

Levanto a cabeça que estava apoiada nas minhas mãos de dedos entrecruzados. Olho em direção à única luz acessa em minha casa, a da cozinha. Na limpidez da paisagem uma figura se forma em algum lugar entre os metros diante de mim a imensidão do meu atormentado inconsciente; Era aquele garoto da praça, brincando entre as flores da praça despreocupadamente feliz, solto como se fosse um garotinho de classe média brincando numa instância de serra qualquer. Ela pulava pra lá e pra cá, entre as flores amarelas dali olhando para mim sentado no meu carro. Me olhava entre os talos das flores, se escondendo como numa brincadeira de caça e caçador. Estava tão feliz, seus olhos denunciavam sua plena tranqüilidade naquele momento. Seu sorriso franco, aberto, está impresso como brasa na carne na minha lembrança. Criança é criança em qualquer lugar, consegue sem perceber crivar estacas na alma dos adultos arrogantes e hipócritas.

Abaixo e apoio minha cabeça pesada nas minhas mãos de dedos entrelaçados. Busco a resposta para meus conflitos que assolam meu interior; Vasculho minhas entranhas à procura da sabedoria deixada no fundo de alguma gaveta por lá...que bagunça. Escuro, empilhado, confuso e empoeirado, assim é meu inconsciente e lembranças.

Levanto no meio da escuridão e vou tomar um banho, deixo a água cair. Assim como se na esperança de as águas limpem da minha alma meus tormentos. O simples chiar da água caindo se transforma dento de minha cabeça num rugir de um cachoeira caudalosa. Meus desafios que se apresentam logo ali à frente são grandes, e por isso me excitam e me atraem, mas não posso negar que são grandes. Muito Grandes.

Os Deuses Ancestrais sempre estiveram comigo, neste momento não é diferente, sinto-os tão próximos que parecem assim ao meu lado, piel con piel.

Vamos abrir, a muito custo, caminho entre a mata fechada da ignorância, entre os espinhos da violência, entre os desertos do egoísmo e entre as labaredas ardentes das vaidades. Grande é a batalha, mas grande é a vontade. Mesmo com o corpo às vezes fatigado pelos longos dias de agruras, quase 20, vamos adiante, pé ante pé, rumo à conquista de si mesmos.

Talvez eu devesse ser mais claro que me refiro...talvez não.

A vida é muito linda e basta pouco pra ver, como disse hoje em seu post a AngelicalGirl (*). Faremo-la ainda mais.

Deixo aqui mais um texto escrito ha muito como sê um testemunho de meu revirar do meu passado que hoje clama por ajuste...

texto escrito em 24/9/2002
A vida e A VIDA
Nesta semana, vendo minha caixa de msgs das comunidades eu me deparei com uma email bem interessante.
Era de uma garota me perguntando se determinada msg que enviei (ha uns 2 meses) foi fato ocorrido em minha vida mesmo ou era obra de ficção. Perguntou-me se aquele tipo de acontecido era frequente em minha vida, e como ela poderia fazer para 'trazer' para si situções semelhantes àquelas.
Bem, eu repondo que, no meu entendimento, esses acontecimentos ocorrem diariamente na vida todos, a diferença é como se encara esses acontecimentos, à primeira vista, corriqueiros e sem qualquer importância especial.
Disse-lhe que a grande magia da visão é saber enxergar a peculiaridade de cada acontecimento justamente nas suas igualdades com todos os outros (a diferença em suas semelhanças, da igualdade por suas diferenças). A partir daí você pode mergulhar nas profundidades dos fatos cinzentos e descoloridos e vislumbrar as miríades de matizes reluzentes que há no coração das coloridas origens que estão por detrás das cortinas desbotadas da vida prosaica.

O encanto da vida é este, ...em seu lago mágico
há tantos prateados cisnes quanto você acreditar que tem,
nem mais nem menos.

Espero que eu aprenda isso logo e
não dê tantas cabeçadas na mesma parede
antes de me dar por vencido e procurar
outro caminho, vai ser teimoso assim
como eu em Vladivostok.

vida longa à todos
Ôþèrøn

e coloco aqui o poema que enviei à ela, poema
este que conheci quando garoto e ficou gravado
em meu coração para sempre:

...minha reverência para Cecília Meireles.
A ARTE DE SER FELIZ


Houve um tempo em que a minha
janela se abria para um chalé. Na
ponta do chalé brilhava um grande
ovo de louça azul. Nessse ovo
costumava pousar um pombo branco.
Ora, nos dias límpidos, quando o céu
ficava da mesma cor que o ovo de
louça, o pombo parecia pousar no
ar. Eu era criança, achava essa ilusão
maravilhosa, e sentia-me completamente feliz.

Houve um tempo em que minha janela
dava para um canal. no canal oscilava
um barco. um barco carregado de flores.
Para onde íam aquelas flores? Em que
jarra, em que sala, diante de quem brilhavam, sua
breve existência?E que mãos as tinham
cultivado?E que pessoas iam sorrir de alegria
ao recebê-las? Eu não era mais criança,
porém minha alma ficava completamente feliz.

Houve um tempo em que minha janela
se abria sobre um a cidade feita de giz.
Perto da janela havia um pequeno jardim seco.
Era uma época de estiagem, de terra
esfarelada, e o jardim parecia morto. Mas
todas as manhãs vinha um pobre homem com
um balde, e, em silêncio, ia atirando com a
mão umas gotas de água sobre as plantas.
Não era uma rega: era uma aspersão ritual,
para que o jardim não morresse. E eu olhava
para as plantas, para o homem, para as gotas
d'água que caíam de seus dedos magros, e meu
coração ficava completamente feliz.

Houve um tempo em que minha janela
se abria para um terreiro, onde uma vasta
mangueira alargava sua copa redonda.
À sombra da árvore, numa esteira, passava
quase todo dia sentada uma mulher, cercada
de crianças. E contava histórias. Eu não a
podia ouvir, da altura da janela; e mesmo
que a ouvisse não entenderia, porque isso
foi muito longe, num idioma difícil. Mas as
crianças tinham tal expressão no rosto, e às vezes
faziam com as mãos arabescos tão compreensíveis,
que eu participava do auditório,
imaginava os assuntos e suas peripécias
e me sentia completamente feliz.

Às vezes abro a janela e encontro o
jasmineiro em flor. Outras vezes encontro
nuvens espessas. Avisto crianças que vão para
escola. Pardais que pulam pelo muro. gatos
que abrem e fecham os olhos, sonhando com
pardais. Borboletas brancas, duas a duas, como
refletidas no espelho do ar. Marimbondos que
sempre me parecem personagens de Lopes de Veiga.
Às vezes, um avião passa. Tudo está certo,
no seu lugar, cumprindo seu destino.
E eu me sinto completamente feliz.

Mas, quando falo dessas pequenas felicidades
certas, que estão diante de cada janela, uns
dizem que essas coisas não existem, outros
que só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente,
que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.


Cecília Meireles, Quadrante I, Rio deJaneiro, 1968.



por Ôbèron * Quinta-feira, Abril 14, 2005
o verbo:

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[Quarta-feira, Abril 06, 2005]

Alma de Argos

Hoje perdi uma das minhas referências. Estou um pouco mais pobre. Pois partiu na Grande Viagem uma das pessoas que mais me influenciou na minha Trilha Sagrada. Com sua Dignidade e Senso de Igualdade e grande penetração no mundo mágico se fez admirar por todos. A mulher que sempre chamei por Léa em meus relatos abriu mão de seu cárcere físico e foi navegar entre as Galáxias, feito Argos, com sua alma, esta que já fazia isso a tempos. Rendo minha homenagem a ela colocando aqui um texto que escrevi por conta de nosso útimo encontro nesta encarnação há quase 3 anos.

Léa, você sempre estará viva comigo...

mensagem escrita a 24/9/2002
DIAS DESPRETENCIOSOS

À mim é intrigante pensar como às vezes dias
tão despretenciosos nos reservam tamanhos acontecidos...

Sexta-feira encontrei-me com especial amiga, aquelas de muito tempo e distância, sabem?
Havia acabado de almoçar (apesar de ser ainda manhã) com um cliente de nossa empresa, estava tomando um café no bar do restaurante quando chamou-me a atenção uma senhora sentada em uma mesa distante de mim alguns metros, seus traços muitíssimo característicos não me deixavam dúvidas, era ela.
Se tratava de uma grande amiga de tempos. Puxa! já faziam uns treze anos que não a via. Muitas coisas passaram por minha cabeça, um turbilhão de lembranças visitaram minha memória em instantes, estava diante de alguém que talvez tenha sido a pessoa que mais me influenciou em minha juventude, acredito.
Caminhei até sua mesa, e chamei por seu nome de poder (que aqui mudarei para, digamos...Léa), ela olhou para mim com surpresa, ficou olhando para mim como se não acredita-se no que via, com um misto de alegria, de satisfação e de...vergonha (?).
Notei já no primeiro momento que seu olhar não era o mesmo. Estava com um olhar apagado e sofrido e não irradiava uma energia pujante de vida que sempre lhe foi característica, o que fizeram com Léa?

permitam-me abrir um apêndice aqui: ...
Léa era daquelas pessoas que varria
a inércia de onde chegava, seu olhar era algo incrivelmente
irradiante, e sua presença nos impelia à felicidade.
Uma pessoa engajada e lutadora, sempre comprometida
em causas coletivas e de uma espiritualidade forte e
sutilmente delicada. A conheci na minha adolescência, por
volta de quatorze anos, e foi com ela que me dei conta
de Gaia e da espiritualidade além da magia, do conceito
além do dogma, da magia lém do rito. E confesso, nutri uma certa
paixão, apesar da diferença de idade (eu nos meus quinze
e ela com seus quarenta e cinco ou seis). Afinal era covardia,
eu um garoto tonto e ela uma mulher lindíssima por fora e
exuberante por dentro, cheia de mistérios e fascínios.


Seu olhar cansado, ferido e culpado denunciava os maus tratos que sua vida lhe proporcinara em algum(ns) momento(s) nestes treze anos que não nos encontrávamos. A energia tênue irradiada por ela, diferentemente de outrora, mostrava o quanto deveria estar cansada da batalha. Não quis adentrar-me nestes meandros então perguntei como estavam os estudos, respondeu-me que parara. O orfanato onde por anos trabalhou voluntariamente? também largou. Algum pupilo nas Artes? também não.
Tudo parado, tudo abandonado. Era para mim assustador, a mulher que para mim e sempre foi um ponto de referência de vida, de como viver estava diante de mim como sê uma cidade fantasma, daquelas que a gente vê nos filmes de wester. Ela, claro, reparou minha evidente surpresa diante da paisagem. Contou-me, de maneira delicada, seus sofrimentos e suas perdas. De como deixou de acreditar em suas convicções diante do sofrimento, de como golpe sobre golpe fez-se derrotada diante de si mesma. E como passou a não ver mais sentido em lutar por algo. E que durante a caminhada, no meio dessa tempestade, se perdera e como não vira o momento do acontecido não conseguia mais se encontar. No fight show.

Ela não cria mais na valia da luta, e que todo o esforço teria sido em vão.

Houve um silêncio de alguns minutos entre nós, ela tomando sua água calma e pausadamente, eu comendo minha refeição (o meu segundo almoço em menos de meia hora). Enquanto comia tentava me acalmar e me alinhavar na linha dos acontecimentos para que pudesse enxergar meu lugar na sequência dos fatos, nesse folguedo de Léa.

Neste meio tempo tive o impulso de convidá-la para conhecer um pouco de minha vida de hoje. Ela aceitou e então saímos. Enquanto rumávamos para nossa primeira parada, contei-lhe um pouco de minha rotina e de como ela se pautava em muito do que ela havia me ensinado anos atrás. Chegamos então em nossa primeira paragem, um asilo. Ela se espantou, pois achava que eu a levaria ao meu trabalho. De certa maneira não estava errada. Aqui eu aplico boa parte de meu tempo durante a semana, disse a ela. - Lembra como você fazia isso quando te conheci? Aquilo me moldou, e faço isso muito por que a via fazendo - disse.
Andamos um pouco por lá, conversamos um tanto com as pessoas dalí e saímos. Em seguida parei na frente de uma edificação, ela me perguntou o que era ali; disse-lhe que era um templo holístico, fundado por um amigo meu que teve grande influência nas atividades dela e que era mantido e direcionado por alguns de nós, que na maioria a conhecera e tinha nela fonte de inspiração.
Estava perto do trabalho de meu afilhadona Arte, fomos até lá. Depois das devidas apresentações pedi para que ele fizesse uma saudação em respeito a ela, como sacerdotiza, conforme eu havia um dia ensinado-o. Então ele a fez, ...fez exatamente como eu tinha ensinado, que era exatamente o que ela me ensinara tempos atrás.
Digo que este momento foi mais do que mágico, ela olhou para mim e se fez sorrir belamente. Fomos embora pouco depois.

Léa, apesar de fragilizada ainda era uma mulher sensível e eu não precisei dizer que o que queria mostrar-lhe era que o esforço não tinha sido em vão, que sua vida deixara fruto perpétuos e que seu trabalho não acabará com sua partida, que tudo que fizera marcou profundamente a todos por onde passou pois foi feito com intensidade e sinceridade de propósitos.
Léa sorria para mim sem parar não somente por isso descrito acima, mas por minhas atitudes, notei. De me ver 'crescido' e certo de meus gestos, do meu olhar com capacidade para enchergar seu coração, de se ver em mim, e de como a vida sempre dá a oportunidade do retorno. De mim em relação a ela, quando tenho a oportunidade de passar algo a alguém que me ofereceu muito. Dela em relação a mim, de ter a bonificação de receber algo que julga bom de alguém a quem ela doou suas jóias pessoais.

Foi um dia e tarde e tanto. A vida é assim quando
corremos o risco de vivê-la além da superficialidade
das aparências, ela nos proporciona momentos
intensos em significados e resultados em
meio do nosso cotidiano repetitivo e previsível.

Essa história não acaba aqui, ela segue adiante,
perenemente. Em relação a ela, neste dia recebeu
grande carga de estimulantes espirituais para
reverter este jogo. As coisas não mudam do
dia pra noite, mas começaram a mudar.

É sempre bom estarmos atentos, pois às vezes
somos colocados no caminho das pessoas por
anjos (ou algo assim) para executarmos determinadas
tarefas. Tarefas estas que às vezes podem ser
decisivas nas vidas das pessoas. Mas caminhamos
tão cabisbaixos, tão fechados aos sinais que não
nos apercebemos de nosso lugar e tarefa nos
acontecimentos.

Neste acontecimento, julgo que fiz o que
esperavam de mim, talvez amanhã não
tenha a mesma capacidade.
Espero que tenha, para isso peço sempre
ao meu anjo: não fale comigo, grite
de preferência; sabes, sou meio surdo do espírito.


vida longa à todos
Ôþèrøn


Por isso eu sempre digo: cuidado aos dias despretenciosos e fatigantes,
são neles que as portas dos grandes acontecimentos costumam esconder suas chaves douradas.



por Ôbèron * Quarta-feira, Abril 06, 2005
o verbo:

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[Sexta-feira, Março 04, 2005]

Nuevos Aires

Foram dias difíceis e agitados por aqui nesta aldeia. Disputas, Soluções emergenciais, enfermidades insurgentes e mudanças, sim, muitas mudanças.

Agora escrevo de minha nova casa e escritório, após longos 8 anos estou novamente morando sozinho, na minha própria casa, num vôo de objetivos ousados e expansionistas. Vejamos o que este novo momento me reserva...

Tudo está aqui uma bagunça e há muito o que fazer para que fique tudo como imagino e desejo. Um lugar agradável e de vibrações sutis e altivas. Enfim, una bella de uma cabaninha boa de se morar e receber os amigos.

Que todos os Deuses me inspirem e me dêem força para este novo momento pois aqui reiniciarei minha tarefa espiritual, meu resgate da Grande Tarefa, da Trilha Sagrada. Onde buscarei caminhas step by step a íngreme Estrada Oculta em busca de chegar o mais perto de onde se encontra o objetivo final: Eu mesmo.

Mis agradecimientos a todos os sempre amigos que aqui me visitam e deixam (ou não) seu comentários, sempre tão doces. Que os Deuses Ancestrais os iluminem sempre.

por Ôbèron * Sexta-feira, Março 04, 2005
o verbo:

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[Sexta-feira, Fevereiro 04, 2005]

Decadência dos festivais Dionísicos



A tarde está se despedindo para dar lugar à uma noite fria em São Paulo. Posso ver de minha janela uma garoinha fina cair nos telhados da cidade. Aqui, baixinho, toca The Cranberries, Dolores sussurra I Still Do, daquele jeito que só ela sabe.

Deixei meu escritório na penumbra, para trabalhar melhor, aquelas coisas de concentração e tal, saca? mas mesmo no escuro sutil vejo silhueta do Galdi, bagunçando na outra mesa. ah, desculpem-me, não fiz as devidas apresentações; Galdi é o hamster peralta que zanza aqui pelo escritório, figurinha ele. Devia fazer um regime, está uma bolinha. Acho que é culpa do Ôbèron, ele adora ver o roedor comendo...aí já viu...

Eu e ele estamos nos preparando para sobreviver a mais um Carnaval. Para um cara e um rato que odeiam samba enredo, axémusic, barulheira, bêbados esta época é uma verdadeira m...

Vai, Dolores, canta um tiquinho mais alto.

Esta semana, por conta de uma foga, visitei vários blogs amigos, gostei muito, é bem prazeroso reencontrar amigos e ir a lugares que te faz feliz. Percebi que alguns estão mais abandonados que meu Mausoleú...rs..que julgara o mais às aranhas..hehe.

Que os Deuses inspirem meus amigos e estes voltem a teclar por lá.

Também conheci vários blogs, alguns gostei muito, mas invariavelmente gostei de visitar a todos, pois vc vê as pessoas refletidas em seus blogs, pelo template, pelos posts e pelos links, acho isso bem interessante; ficar imaginando como a pessoa é e se porta pelo seu blog é bem interessante.

Iau..o Galdi caiu da mesa! espero que não tenha se machucado, se estabacou!... ficou me olhando como quem chegou na quina do mundo...hehehe...e pulou. Mais louco que o dono.

Bem, já que não vou me refugiar numa montanha distante terei de me preparar para enfrentar de frente esse Carnaval. Desligar tvs, ir para o bunker (vamos ver se esta casamata vai sucumbir às baterias inimigas), estocar suprimentos, cds de rock e chamar os Deuses Antigos para escutar The Smiths e tomar uma suco de laranja com um toque de absinto comigo.



por Ôbèron * Sexta-feira, Fevereiro 04, 2005
o verbo:

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[Domingo, Janeiro 30, 2005]

Os ventos trazem , os ventos levam.



Desgarrado como um perdido asteróide que vaga pela gelada estrada cósmica me encontro (ou me desencontro). Entre passos e tropeços caminho pela estreita e pedregosa Trilha do Homem que Busca. Quase sempre na penumbra, quase sempre solitário, quase nunca cabisbaixo.
O dia aqui está frio e chuviscoso (esta palavra existe ou é mais um termo By Ôbèron?). Vou em busca do que perdi, do que deixei para trás nestes dias de chumbo, dias de mudanças bruscas e por vezes doloridas. Reviro papéis e anotações, rasgo fotografias, espano capas de livros, exorciso os fantasmas que estão em minhas gavetas. Evoco as fadas esquecidas durante a agonia.
Abro as rangentes portas que cerram meu Mausoléu....Ahhh como é bom ouvir esta melodia gótica russa que por tantas vezes me hipnotizou ao passar pelos umbrais desta casa. É irresistível, cerro los ojos e deixo a música tomar conta de minh'alma marcada me levando com suas notas para lugares tão longes que não seria capaz de chegar em corpo numa viagem de mil dias e tão perto que se chega num estirar de dedos.
Miro las mensages dos que por aqui navegaram e fizeram questão de deixar suas marcas em comentários tão únicos e preciosos para mim que dão um sopro mágico em meu espírito. Que os Deuses Ancestrais os guardem e presenteiem seus dias sempre, será que virão aqui novamente, cruzarão estes oceanos de águas turvas e bravias novamente? onde só encontram fora o silêncio da eterna noite que aqui impera o triste assoviar do vento enrregelante?
Agradeço mil vezes setenta e sete à vocês pelas sempre doces palavras.
Duro é atravessar las dolores que aqui dentro gritam alto e fazem ecoar até o mais longe terreno de meu interior, e fazem tremer minha sempre vibrante e desafiadora alma, será que estou eu ficando velho? Nem me apercebi, afinal os fios de cabelos brancos me acompanham desde os 15. Melhor olhar-me no espelho, não aquele do lavabo, mas o mágico, o consagrado. Será que ele me dirá? assim, sem o pudor dos que amigos medem para dizer verdades? Será ele o portador da boa nova? Dirá que envelheci, que os dias passaram certos e contados um a um para este? Maybe.
Entonces, vamos Ôbèron, que as mudanças foram e serão furiosas, novo, maduro ou velho, vá de encontro a elas. Que Seja.
Amarei a mudança, da alma e do corpo, do interno e do externo, de mim e dos outros, Mutantis Mutantis. Amarei assim que como se ama uma bela amante, de seios tenros e pernas inquietas, a cada dia e a cada noite.
Que gire a Roda da Fortuna, que caia o arcano X, caia na mesa X, que jogarei por cima meu sempre VII.

Natura Naturandis

por Ôbèron * Domingo, Janeiro 30, 2005
o verbo:

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[Sexta-feira, Dezembro 24, 2004]

Nestes dias de festas, meus caros, peço para todos não paz, amor e esperança. peço que comam simplesmente e não se matem tanto com carne chamuscada na brasa, não cometam o suicídio insano de agredir seus corpos com litros de álcool e não torrem seus dinheiros suados com presentes sem sentido, lembrem-se que podem fazer isso outras datas do ano também.
E, se, em meio à essa balburdia toda tiverem um tempo para silenciarem em si mesmos e mentalizarem o renascimento da vida na humanidade e no planeta, da maneira que seu credo permita, isso será então tão lindo. saiba que estarei fazendo isso juntamente com você.

Numa mentalização de Luz Rediviva no Espírito de Gaia, tal como fazíamos nós e nosso antepassados ancestralmente faz dezenas de milhares de anos.

E lembre-se, se beber não dirija, pois pode acabar com sua vida ou de outra pessoa que não tem nada a ver com sua insanidade etílica.

Que os Deuses Ancestrais estejam conosco sempre.


por Ôbèron * Sexta-feira, Dezembro 24, 2004
o verbo:

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[Sexta-feira, Dezembro 03, 2004]

Olhai as perseidas no céu

Semanas sem se manifestar. Mausoléu cerrado, silêncio sepulcrau (como de praxe é um Mausoléu). É estranho como a vida traz uma sucessão de acontecimentos que nos afastam das coisas que amamos, não é? Bem, deixe isso pra lá...

Mas ao emergir do profundo de meus imprevistos previsíveis vejo em minha caixa de emails e comments dizeres tão legais, é muy importante saber que pessoas sentem falta da gente, do que fazemos ou escrevemos, do que temos a dizer, enfim, de nós. Gente que está em outros lugares, acerca ou longe, outros países, outras realidades, e estão tão pertinho da gente como outros que estão ombro a ombro fisicamente não estão. E sabem de nós, e os que nos olha cara a cara não sabem. É bem interessante.
Meus mais profundos, sentidos e fortes agradecimentos a todos que aqui visitam e às vezes deixam (ou não) seus posts e me fazem crer que sou importante ou que faço parte de um momento de sua atenção. Isso é mágico para mim e de extrema importância.

Não tem nada a ver, mas no dia 19/11 por conta de uma chuva leonina (aquele montão de meteoros riscando o véu negro do céu noturno) fiquei de cara pro ar olhando o firmamento por um belo tempo na madrugada. Foi bem interessante, pouco vi dos meteoros, mas fiquei contemplando a imensidão celeste na noite. A gente fica sempre olhando pro chão e esquece do universo. Fica registrado na nossa mente que o "Tudo" é um raio de 30 metros a nossa volta e acabou. Então quando olhamos para o espaço perdemos a noção de parâmetros de tamanho e distância diminutos que elegemos para nossa vida e mondo e quando baixamos a visão pro horizontal novamente temos a real percepção que estamos encarcerados em nossos minúsculos e ridículos corpos físicos e que vivemos como ínfimas partículas num universo mais do que gigantesco. Quando olhei a minha volta me senti um pouco "pequeno príncipe" regando a rosa e desentupindo vulcões num minúsculo planetinha então quis também segurar a cauda de algum cometa e sair pela Via Láctea conhecendo vários lugares, outras plagas.... ... ...Ilusão... ...

Acho q preciso viajar dentro de mim, Já que não posso ser o Cosmonauta da literatura. Conhecer outras galáxias e quadrantes dentro do universo de meu próprio eu, invariavelmente conflitante e peremptório. Me aventurar pelos oceanos desconhecidos das almas que estão próximas a mim, descobrir novas matizes das conhecidas cores das paisagens da minha rotina. Desbravar o Cosmo de meu lugar comum... ...Expandir.
Parecem bobagens mas certas vezes estas coisas, as chuvas leoninas ou outras paradas, aparentemente sem relevância me põem a pensar e delirar por dias, semanas, meses às vezes. Sempre estamos pensando em ganhar dinheiro ou provar que podemos mentir mais perfeitamente que o outro e temos vergonha (ou sei lá o quê) de aplicar tempo pensando nas chuvas leoninas. Eu queria perder mais tempo olhando para o céu nas noites de perseidas e chuvas leoninas. Talvez algum dia me convenceria que o universo não é só os espaços que fazem parte do meu dia-a-dia da maneira que conheço.

por Ôbèron * Sexta-feira, Dezembro 03, 2004
o verbo:

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[Segunda-feira, Novembro 15, 2004]

Vislumbres na Serra.

Foram dias de chuva nesta cidade. Durante quase toda a semana tivemos pancadas de chuva ou garoa.
Eu, pessoalmente, adoro a chuva, principalmente quando combinada com vento.



Mas neste sábado os deuses das nuvens resolveram dar um tempo e o dia ficou bem aberto. Realmente ficou ensolarado, pedindo algo novo. Não demorou e minha amiga BlueWing me ligou. Sujeria que fôssemos pegar a estrada.
-Para onde?-perguntei.
-Não sei, vamos ver se encontramos algo (ou algo nos encontra...rs) - respondeu ela.
-ok- aceitei de pronto.

Pegamos uma rodovia, assim com destino desconhecido (pelo menos para nós). A estrada estava linda, a vegetação passando rápida por perto, as montanhas passando lentas ao fundo. Vacas...casebres...fazendinhas...cupinzeiros...e montanhas, invariavelmente, montanhas.



Mas onde queríamos chegar? ou onde deveríamos chegar? não sei. Nem queríamos, naquele momento, saber.
-Sei que devemos entrar à direita - dizia ela.
Aquela situação, confesso, me instigava. Adoro este tipo de coisa: rumo ao desconhecido.

Dado momento saímos da estrada principal e dobramos numa estrada secundária, muito linda por sinal, muitas árvores cerqueando a via, rodamos mais um tanto embrenhamo-nos num vilarejo que abrigava um posto de gasolina. Muito interessante, ainda não sabíamos onde estávamos, qual município de São Paulo nos abrigava. Mas não estávamos muito longe da capital. Descemos ruas abaixo até que chegamos no limite do povoado, que por sinal dava numa majestosa parede de vegetação, uma muralha. Lindíssimo!



Paramos o carro um instante para admirar aquelas montanhas recobertas de um verde tão raro em nossa capital. Certamente dentro de ambos habitava a vontade de largar o carro ali e entrarmos mata a dentro.
Saímos então por ali até que nos deparamos com uma larga via acompanhada por pinheirais à esquerda onde, podíamos ver ao longe, no seu final encontrava uma ladeira que se perdia no meio da mata no sopé daquela serrinha.



Seguimos a estrada até quase o final, paramos o carro e saltamos um instante, caminhamos até os pinheirais que eram uma espécie guardiões dos portais daquela mata, pois depois deles a mata começava e se fechava. A força natural era tamanha que só podíamos pensar que os seres da mata, mágicos que são, nos observam de dentro das restingas. Contemplamos aqui tudo por uns instantes e não resistimos e entramos mata a dentro uma dezena de metros, pairamos um tanto envolto às árvores. Retornamos pro carro e seguimos adiante para ver onde aquela estrada nos levaria.
A estrada serpenteava morro acima e a cada curva apresentava uma paisagem mais deslumbrante e aromas intrigantes de natureza. A mata nos chamava caminhos a dentro, nos despertando através de processos mnemônicos lembranças de coisas que jamais vivemos. Os grande senhores da mata cantavam canções surdas maravilhosas que só podíamos ouvir com os ouvidos de nossas almas.

Enquanto o carro avançava, olhávamos para dentro da mata ocultava e nos parecia que lindos seres mágicos nos acompanhavam e observavam ao longe a sinceridade de propósito de nossos corações.



A impressão que ambos tínhamos é que ali estávamos para dada tarefa, como se necessitássemos encontrar alguém ou algum lugar. Essa impressão era tão nítida que me assustava até certo ponto, pois isso agride nossa razão cartesiana.

A estradinha não parava de subir rumo ao topo da serra. Mas eis que chegamos no alto, seguimos adiante e em certo ponto resolvemos retornar.

Ao fazermos a manobra de retorno o carro insistiu em morrer, empacando no meio da estradinha alta. Enquanto BlueWing tentava manobrar eu observava no visor da máquina o foto que fiz do local e algo despertou em mim. Observando a imagem tinha a sensação assustadora que já vira aquela paisagem antes muitas vezes. No mesmo meio tempo BlueWing diz: "que estranho parece que vi três espadas de São Jorge pelo retrovisor naquela matinha e agora não vejo nada". Levanto a visão e observo pelo retrovisor e qual minha surpresa quando vejo no reflexo uma placa a meia distância. Aquela placa explode como uma bomba em meu hemisférios cerebrais causando uma avalanche de rememberes e dè javus que jamais experimentei. Falamos juntos "pára, pára! vamos descer!" (heheheh...dois loucos no meio do nada!).

Saí rápido em direção ao vale que tínhamos à esquerda, pois sabia exatamente o que eu veria. De certo. A visão que se mostrou foi de exato a que imaginei. Assustador. Já houvera sonhado inúmeras vezes com aquele lugar.



eu observava atônito aquele lugar enquanto aos meus ouvidos os gênios de minha vida proferiam junto com o vento palavras incompreensíveis por mais que eu me esforçasse para entender. Parecia-me que um turbilhão de informações e situações estouravam na minha mente sem que formassem qualquer figura inteligível. Achei que ía variar ali mesmo.

O desafio diante daquilo tudo para mim era: Sim, mas o que eu tô fazendo aqui, caracoles! Why?

Depois descemos a serrinha (depois de delirarmos muuuito, claro) com alma da terra dentro fomos por outros caminhos, sempre com a impressão de que precisávamos estar atentos para encontrarmos o que tínhamos de encontrar. Sentíamos que estávamos deixando algo para trás, algo precisava ser entendido. Voltaremos lá, certamente. Lá algo precisa ser feito. Será feito.

16:40hs de sábado, Pegamos a estrada rumo ao desconhecido ainda.



Fomos parar em Guararema, no centro. Cidade aconchegante e limpa, e com muita natureza, cortada pelo Rio Paraíba. Lindíssimo por sinal. Sei não, qualquer dia desses vou morar lá...rs. Ficamos observando o Rio e a cidade até o final do dia. Conversando ainda sobre o acontecido de horas atrás, o que tudo isso significava, naquele momento difícil saber. Que os Deuses nos ajudem a vislumbrar o mistério, caso haja algum.



Ainda na cidade de Guararema paramos num caffé muito aconchegante e de ótimo serviço, o TriumViratu (Rua Major Lopes, 106-de frente ao Teatro Municipal). Indo à Guararema sendo possível visite, folheie algumas revistas na livraria da casa e conheceça o ateliê de pintura conjugado com o caffé. A casa guarda algumas características originais do projeto que é de décadas atrás. Bem legal.



Depois dessa aventura louca em direção ao "não sei", finalizada em Guararema retornamos para a capital por estradinhas escuras feito debrum até chegar na Rodovia Carvalho Pinto.

até agora este presente momento onde narro o acontecido ainda penso o que terá nos levado até lá. O que temos de realizar por lá? há algo por se apresentar ou será tudo uma doce viagem rumo a mundos somente existentes em nossas líricas e respectivas imaginações.

Voltaremos lá.
Deuses e Hierarquias.




por Ôbèron * Segunda-feira, Novembro 15, 2004
o verbo:

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[Domingo, Novembro 07, 2004]

Vida y Morte


Garoa e frio na cidade de São Paulo. Pequenos pingos caem no asfalto e eu querendo desaparecer no céu. Querendo estar aos pés de um plátano, ou de um jequitibá-rei, sei lá. Agora tudo tem tão pouco nexo. Parece-me que nunca vou dobrar a curva final desse labirinto e livar-me dos meus fantasmas, dos minotauros que sempre ameaçam capturarem-me neste emaranhado de caminhos rocambolescos.

Enquanto a fina garoa cai eu faço bolinhas de sabão em minha sacada com um brinquedinho que ganhei de uma amiga bruxa muito especial, chamo-a de BlueWing, asas azuis. Ela realmente tem asas azuis, e a amo muito, tem um poder que ela mesmo desconhece. Ela tinha razão, fazer bolinhas de sabão é algo terapêutico, quase sagrado (rs). As bolinhas expressam a beleza colorida da vida e sua fugacidade, e por mais que a bolinha saiba onde queira chegar ela vai ao vento e nunca sabe para onde este vai levá-la em exato ou quando será o ultimo rodopio no ar. Fico observando as bolinhas que dei vida com meus pulmões em sua viagem colorida e incerta na garoa. Mientras esto viajo em meu interior, invariavelmente turbulento e corosivo.

Sinto os grandes mestres de minha vida gritando e cantando distantes. As loas não param, mas parecem ininteligíveis à razão. Esse tambor que bate no compasso do coração anuncia as mudanças que chegam fortes, quebrando verdades temporais e trazendo o cheiro de novo peculiar ventos da mudança.

-"Ó senhores da minha vida e morte, abençoado seja vossa presença em minha jornada de hoy y siempre. Eu Vos reverencio!"

Estou à boca da grande Grota de meu inconsciente, dos meus desconhecidos. Escuro é o caminho em direção ao meu conhecimento.Mas sei que tenho de trilhá-lo, vou de encontro ao Meu Destino.

- "Pia, Coruja da noite, anuncia a nova Alvorada que se avizinha!"

Preciso olhar acima dos ombros de minha própria mediocridade, da minha própria previsibilidade. Abrir mão do seguro e conhecido, jogar fora o já conquistado. Abrir o peito ao vento, encarar o medo de aceitar o novo, da derrota, ignorar a dor, ser mais do que eu mesmo. Superar. Ir além de Ôbèron e lançar-me no mar bravio formado das ondas dos terrores de minh'alma. É hora...
Tal como a aranha que vai para o oculto e vence el dolor para trocar a carapaça que não mais lhe serve, eu devo mergulhar na minha escuridão e dor para trocar a carcaça que não mais me veste.
De olhos fechados ouço os lobos uivarem nos noturnos desfiladeiros de meu espírito. Me chamando, me desafiando, me devorando.

-"Ah, Raydtsha."

Devo subri a Serra, vencer o frio, as pedras escarpadas, o escuro, as feras, o medo, a pequenez.
Guiem-me, lobos, nessa noite fria, caminhando entre árvores, entre ruínas, rancores, entre derrotas edificantes e vitórias inebriantes.
Deixem-me soltar o grito preso en mi garganta e fazer com que ecoe pelas 7 Montanhas Sagradas o som de meu nascimento e morte, de minha morte e renascimento.
No frio de hoje deixa eu renascer, vencedor de minha escuridão, da arrogância, da avareza espiritual, da ilusão. De carapaça nova, tal como a tarântula. Tal qual a mim mesmo.

Mais bolinhas de sabão voam entre as finas gotas da garoa Made in Sampa nesta noite fria.

por Ôbèron * Domingo, Novembro 07, 2004
o verbo:

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[Sexta-feira, Outubro 29, 2004]

Bella sorpresa en jueves

Certas vezes são nos dias mais comuns que estão guardados boas surpresas. E eu adoro ser surpreendido pela vida (positivamente, é claro..rs), sejam grandes surpresas boas ou aquelas bem pequeninas, aquelas que se a gente não está atento não percebe e não curte aquele (quase) insignificante momento bom.
Ontem depois de um dia bem normalzinho, já no início da noite após um dia de trabalhos comuns, encontrando com dois especiais amigos resolvemos dar uma saidinha, sei lá, pra tomar alguma coisa antes de fechar a conta daquela quinta-feira-nada-de-mais". Resolvemos ir à um bar, restaurante, rodízio (sei lá oq é ali) que tem como especialidade frutos do mar, pensei "bem, vamos lá. Vai ter uma banda de MPB que toca aquelas coisas que toda banda da noite toca", Sem expectativas fomos até lá.
Ao chegar para minha surpresa, não havia uma banda tocando MPBs de sempre. (?!?!?!!), como assim? sair da rotina? sair da previsibilidade?
Para nossa feliz surpresa naquele lugar naquela noite havia uma banda tocando rock, e rock de primeiríssima (no meu gosto, claro...rs), Pra ter idéia fomos recepcionados por Smiths (!), sou simplesmente fissurado por Smiths. E durante esta noite viajamos no ótimo repertório e performance da Banda Anjo de Vinil. Escutamos naquela noite Smiths, Cramberries, Creedence, Legião, Ira e muito mais.... Foi uma ótima surpresa do Senhor dos Destinos, uma noite de uma quinta despretensiosa encerrar com um show saboroso de músicas perfeitas (principalmente alternativas dos 80s) belamente interpretadas pelos Banda, depois perguntei seus nomes e aqui faço questão de registrar: Marcos de Paula (vocal), Leandro de Paula (Guita e Voz), Marcos Passanezi (teclado), Dirlei Furlani (baixo). Marcos Rodrigues (batera).
Conheci 3 composições próprias deles e são muito boas, tem um toque de rock inglês/irlandês anos 80. Muito boas. Desejo que o destino os leve rumo ao caminho da vitória e sucesso, levando-os à fama ou não (nem sempre a vitória é a fama). Que Calliope e Clio, musas da poesia e artes musicais, filhas de Zeus e Mnemósine, sorriam para eles e os inspirem nestas artes. Acabo aqui celebrando a Arte e o Talento. Pois só as Artes podem quebrar Muralhas da crueza humana.


por Ôbèron * Sexta-feira, Outubro 29, 2004
o verbo:

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[Domingo, Outubro 24, 2004]

Mudanzas de los Vientos

Olho para o horizonte e ele está velado, assim como quando olhamos o mar nas noites de lua nova onde vemos as arrebentações sumirem na escuridão e se fundirem com o negro céu órfão do lume lunar.
Sinto a onda grande e forte das mudanças se aproximando e preparando-se para quebrar na praia da minha vida. Confesso que apesar de ser angustiante perceber as mudanças incertas chegando pra agitar meus dias eu também fico excitado em querer que tudo logo se apresente e eu possa visualizar o que irá ocorrer, o que perderei, o que ganharei. Gosto de mudanças, é sempre bom aceitá-las e vestí-las. Resistir às mudanças que a vida traz é o mesmo que resistir à tempestade num barco, você afunda tentando segurar o leme no antigo norte, temos que deixar o barco dançar livre e de frente sobre as ondas furiosas.
Fecho os olhos e sinto a onda crescendo .... crescendo.
Que venham as mudanças.
Que os Deuses Ancestrais ajam em minha vida,
eu vou de encontro ao meu destino.

por Ôbèron * Domingo, Outubro 24, 2004
o verbo:

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[Sábado, Outubro 16, 2004]

Alma cega! Arma-te do facho dos
Mistérios, e na noite terrestre
descobrirás teu luminoso Duplo,
tua Alma celeste. Segue este
guia divino e que seja teu Gênio.
Pois ele tem a chave de tuas
existências passadas e futuras.

Apelo aos iniciados
(segundo o Livro dos Mortos)

por Ôbèron * Sábado, Outubro 16, 2004
o verbo:

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Bem, agora é quatro da tarde e o tempo já começa a virar na capital paulista. Nuvens espessas e negras se aproximam à sudoeste daqui. Tenho uns trabalhos pra fazer mas creio vou esquecer tudo isso. Tem algo me chamando lá fora, preciso ganhar a cidade, me embrenhar por seus becos escuros e pelos meus também. Gracias aos que passaram por aqui e deixaram seus coments e tambien para aqueles que não deixaram registros ou rastros que aqui sobrevoaram.
Especialmente para Lin, Ma, FFF, Karla, Desirré, Violet Witch, Angelical Girl, Valak, Lilith, Dark Fire, Sô, e todos que tenho visitado seus blogs e dão brilho e luz a esta casa mau iluminada que é o Mausoléu quando me visitam. Aos meus velhos amigos da Trilha Sagrada que entram e me fazem sentir próximos deles mesmo quase sempre não os vendo freqüentemente. Chega de apologias... : P
Meu registro de saudades à Bastet, minha querida gata, sumida faz 5 meses. Saudade de seu ronronar.

Saudades da mulher que me faz sonhar, musa de meus lirismo, motivo das minhas noites inquietas.... Que os Deuses olhem por ela.


por Ôbèron * Sábado, Outubro 16, 2004
o verbo:

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[Sexta-feira, Outubro 15, 2004]

5ª feira de chuvisco em Sampa
Esta quinta-feira foi típica paulistana, teve frio, abafado, ventania e chuvisco no intervalo de horas. Se é pra falar a verdade, conforme os escoteiros me ensinaram, digo que preferi a parte do frio com chuvisco, é mais meu estado de espírito.



Mas que ninguém faça correlações apressadas com baixo-astral; uma coisa em nada tem a ver com outra. Gostar de frio, garoa, noite não tem relação em ser baixo astral, palidez de espírito e coisas do tipo. Como não há relação com gostar de sol, calor, suor com ser alto astral, feliz ou dinâmico, isso é balela. Mais uma dos fazedores de opinião pra se vender cerveja e chinelas em comerciais praianos cheios de bundas e gente descolada rindo de "não sei o quê".
É tempo bom para refletir, para se concentrar. Em meio as densas nuvens que escondiam o Astro Rei fitava as pessoas que transitavam por aqui e por ali, todas tão apressadas para chegar a lugar algum.



Apesar de todo aquele papo que a gente sempre fala pra todo mundo e escuta de todos de que a vida é linda e maravilhosa, que toda maravilha do mundo está num momento (e isso tudo são grandes verdades, que fique registrado) o dia-a-dia parece sempre tão sem sentido, tão cheios de nada, de futilidades. Estamos sempre queimando nossas calorias com coisas tão dispensáveis. Tamos sempre de querendo uma Coca, um Mac, uma camiseta e um jeans, um par de tênis, uma trepadinha sem carinho (sim, pois assim a gente não se envolve, se envolver é problema), em passar a perna no colega do escritório, um belo corte de cabelo...sempre. Acaba o dia e eu digo: "e daí..". Cadê o propósito dessa peleja? Ah, é o espiritual, claro! é p... nenhuma, mais um condicionamento. Mas se não é, que m...é isso então?
Depois de atender um cliente (parece palavreado de michê...rs) parei pro almoço. Tava cedo e não tinha ninguém por ali, só uma pessoa ou outra e o pianista tocando Berry White no mesanino. Pedi um chope (mais uma convenção) enquanto não vinha a ração.



Fiquei observando os funcionários prepararem o recinto para a manada que logo iria estourar por ali. Mas aquele silêncio e tranqüilidade ali era tão interessante, mais refrescante que o chopinho gelado, poso até dizer que era algo agressivo ao local, o ambiente não tolerava esse tao de silêncio. Sim, pois o silêncio chama o raciocínio e vai que as pessoas olhando para dentro de si mesmas se apercebessem de algo, de si mesmas.



Talvez fossem correndo pra casa para dizerem para os seus que os amavam ou buscassem fazer algo mais relevante que seguir a boiada, era prejuízo. Sei lá. Vai que fosse...
No final da tarde é transito, mais um produto que colhemos com fartura nos pomares de Sampa.



Mas ao menos nesta quinta estava perto da minha batcaverna. Agora aqui estou eu atravessando mais uma madruga a olhos abertos. Mas hoje, sei não, creio que preciso de um encontro com meus Deuses Ancestrais, de ritualizar minha crença. vontade de convencionalizar o estéreo, de limitar o ilimitável com processos tacanhos, ou seja, fazer um rito aos Deuses.
Oh, Grande Absoluto, Todo Atrativo, perdoa seu filho dementado que ainda vive de tolice em tolice e não dá um pé adiante no degrau acima. Reserva aí pra mim mias umas 3 mil encarnações neste e em outros planetas...humpf.

por Ôbèron * Sexta-feira, Outubro 15, 2004
o verbo:

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[Quinta-feira, Outubro 14, 2004]

Aos transeuntes da Web, velhos e novos amigos da net que ultimamente entraram no Mausoléu e deixaram palavras doces eu rendo minhas apologias...rs. Em noites de vento e garoa como esta que rola agora em Sampa é bom ver que viajantes navegam cá por estes mares.

Faz 3 noites que não durmo, umas com motivos outras já nem tanto. Como eu queria conseguir dar uma pestaninha hoje. Vamos ver se daqui a pouco Oneiros, senhor dos sono e delírios, vem me visitar nesta lua. Aliás, cadê meu extrato de maracujá que tava na janela? Poltergeists again? : P

por Ôbèron * Quinta-feira, Outubro 14, 2004
o verbo:

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[Quarta-feira, Outubro 13, 2004]

Neste último Final de semana por conta de certos imprevistos previsíveis dei a a fazer algo que ha muito não fazia, andar pela noite, sem rumo, assim como um andarilho sem vínculos com lugares ou gentes. Depois de uma mudança de planos saí andando pela cidade. Estava sem carro e como não encontrei um amigo em sua casa saí...
A noite estava fria e a garoa beijava o rosto. Na maioria das ruas havia alguma movimentação ainda pelos bares, onde algumas pessoas ainda se divertiam ou sei lá o que, em outras ruas o único movimento era das folhas correndo pelo chão de mãos dadas com o vento e o único barulho o das minhas botas. E nestes lugares minha mente parecia que falava alto coisas ininteligíveis, quase gritava. Queria competir ruídos com minha sola.
Já fazia tempo que não fazia isso. Afinal São Paulo não é uma cidade para se caminhar sozinho (ou acompanhado) pelas madrugadas, não é exatamente algo inteligente fazer isso. Mas essa noite pedia isso. Havia me esquecido como é bom caminhar pela madrugada, junto com as corujas e as raposas pela escuridão, pelo silêncio. Faz você lembrar que está sozinho, que pelo mais que estiver com amigos, esposa, filhos, você veio e sairá deste mundo sozinho. E que sempre tem de saber levar as coisas assim.
Você vê as pessoas esquecidas nas marquises e bancos de praça, pessoas que fazemos questão que sejam invisíveis. fingimos que não as vemos. São crianças, homens e mulheres, jovens e velhos. Esquecidos do mundo que estão. Destino severo talvez. Qual propósito ou despropósito levou toda esta gente para esta vida? Santa estupidez, será que tenho de acreditar que isso tem uma razão premeditada? o karma? KaliYuga? Um Deus punitivo? ou deveria pensar que é uma cretinice mesmo?
Caminhei até o dia amanhecer, tantas coisas vi e senti, pensei. Atravessei a cidade e voltei ao ponto de partida. Ah, tantas coisas a escrever sobre isso, a falar sobre isso, a aprender com tudo isso...será mesmo?. Acho que estou ficando louco, ou devo dizer mais louco ainda(?). às vezes me ponho a pensar se tudo isso vale a pena. Nadar contra a correnteza é muito cansativo. Ri, assustei, silenciei, gritei, corri, me encolhi nos tombos de monumentos. Vivi. Mas se alguém disser que me viu chorar neste madrugada negarei até o fim.

por Ôbèron * Quarta-feira, Outubro 13, 2004
o verbo:

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[Terça-feira, Outubro 12, 2004]

Que ótimo, meu drink acaba de se espatifar no chão junto com a taça. Meu cotovelo se mostra contra o hábito de ingerir destilados, creio. Pois nesta semana é a segunda vez que ele me lança fora o vinho. Às vezes penso que certas partes do meu corpo tem vontade própria, avessas às do (des)comando central aqui. Melhor pensar isso que adimitir que sou um desastrado afinal. Certas vezes é tão difícil confessar pra si mesmo que é (ou está sendo) algo que não gostaria. De se olhar no espelho e ver que faz coisas reprováveis a seus próprios critérios. humpf... não é nada simples.

por Ôbèron * Terça-feira, Outubro 12, 2004
o verbo:

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[Terça-feira, Setembro 28, 2004]

Noturnas Ironias Primaverís

Nesta noite prateada de primavera
Estou feliz, irmão, ainda que seu
Ar de reprovação.
Não foi em primaveras passadas
Que em nome do Filho maldisse
Meu celebrar noturno?
As estações giraram em carrossel
Foram e voltaram e nesta primavera
Nos brindam com nova fragrância.
Ironia, irmão.

Meus cabelos brancos são premiados
Com a presença de seu filho e filha
Contidos no Grande Círculo, e contendo-o.
Me chamou de perdido
E hoje eles celebram a Lua comigo.
É, agora seu filho quer ser ao meu lado.
Ironia, irmão.
E agora? Vai empurá-los à Sombra,
Assim como quis comigo? Ironia, irmão.

Eu os fito e eles não estão de batas brancas
Segurando o ostensório do Diácono
Tampouco a pomba na manhã da procissão.
Os vejo de costumes ocres, pretos, toda cor.
Numa mão o lábaro do guerreiro,
No ombro se espalha o corvo e a rapina.
Ao alto passeia a coruja
Nesta noite quente de primavera.
Ironia, irmão.

Eles não estão procurando a redenção pela culpa
Ou o perdão pelo pecado.
Mas estão pela glória pelo silvestrismo
E a ascensão pela própria naturaleza.
Sem comiseração ou penitência
Subirão ao Grande Absoluto. Que é Pai e Mãe
Sem as vergonhas e santidades da Madona
Mas com Baballon e sua fartura de tetas bicudas.
Ironia, irmão.

Nesta noite quem você chamou de renegado e maldito
Em primaveras passadas
Hoje está ombro a ombro com seu filho e filha
Cantando Loas aos Deuses proscritos
Dançando em homenagem à Mãe
Mãe que você tem vergonha e recalque
Do seu sangue, de suas regras, de suas marés.
Neste Natal talvez ele celebre diferente o renascimento.
Ironia, irmão.

Vem descobrir com seu filho quem sou eu
O eu que você deu costas e ombros.
Redescobre, reinventa suas sentenças.
Reescreve o Nome.
O dia é novo. Perceba as outras matizes da paleta
Pelo traço do seu filho.
Ironia, Irmão.
O dia é novo, e esta manhã de primavera
Trouxe de passagem um perfume estrangeiro
Nas pétalas do sorriso de sua filha
Que está comigo no Círculo Sagrado,
Ao lado de seu irmão, seu filho.
Vem ver tu.
Ironia, Irmão.

Ôþèrøn


por Ôbèron * Terça-feira, Setembro 28, 2004
o verbo:

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[Sábado, Julho 10, 2004]

HHhmmm...depois de um sono de semanas em meu mausoléu, despertei enfim.
Finalizarei-vos-lhes o que tenho de acabardes-vos-eis-los a partir de então.

por Ôbèron * Sábado, Julho 10, 2004
o verbo:

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[Sexta-feira, Junho 11, 2004]

-Talvez tenhamos errado por muitos anos, Mata Hari. Nossos dias estavam contados. Brigamos para sacralizar o anti-herói? Então será isso que era "romper os grilhões"? Não! acho que não, é chegada a hora de fazer a revolução dentro da revolução! - espero, sentado na cadeira uma resposta, uma análise de minha própria análise. Ela olha pra mim e diz se levantando da sua - Meu nome, querido, não é Mata Hari.

. sinais de malaquita .
parte II de VI

Meia hora ainda tenho para esperar pela primeira rodada de apresentações. Mesmo porque tínhamos de esperar mais uma equipe que iria apresentar o mesmo projeto sob outro aspecto, o cultural. Justamente o aspecto que eu desejava ter feito. Bem, vamos esperar...
Enquanto, olho do alto os carros passarem pela avenida da Consolação. Imaginei que este natal haveria mais confusão no trânsito de Sampa. Até que tá tranqüilo, o rádio está dando só setenta quilômetros de congestionamento na cidade.
Meu amigo me dá um toque - O pessoal da outra equipe chegou aí, hein - Acho isso um absurdo, duas equipes trabalhando em um mesmo projeto e não haver um único contato, parece até brincadeira. Desorganização tem limites. E ainda mais, chamar gente de outra empresa, que não tem entrosamento conosco, só pode ser piada, é querer perder o cliente. Num giro de cadeira estou posicionado frontalmente com a porta só pra ver de primeiro momento a paisagem desse pessoal.
Qual é meu susto quando vejo uma bela moça arrastando um porco por uma cordinha (!!!) entrando pela sala.
Um porco?! o que esse bicho tá fazendo no 12º andar de um edifício aos pórticos da nossa apresentação? Essa moça, acaso, é louca? Todos ficamos calados. Um minuto. Dois minutos, três, cinco minutos e todos calados. Silêncio sepulcral.
Eis quando meu amigo, sem mais poder, solta um risinho e olhando pra janela diz: -e aí, garota, esse seu bichinho tá fedendo pacas, não? ... ... ... silêncio. Ele, sem graça imenda: - brincadeira. Mas eu, do canto da mesa, tentando observar o tal porco que estava por detrás dela tomo um susto quando abaixo a vista. Pés de gazela! Isso mesmo, eu estava vendo pés de gazela naquela senhorita sentada a pouco de mim. Pisco forte os olhos para ver se tal alucinação de desfaz. Em vão. E tal não foi minha surpresa quando por detrás da moça o porco se levanta em duas pernas e retirando de não sei de onde uma alabarda enorme e num único movimento rápido e certeiro perfura meu tronco com sua ponta afiada. De dor solto um brado grutal que atravessa os mundos da inconsciência.
Me deparo como o escuro de meu quarto. Mas do vão da janela posso ver a claridade, já é dia. Sonhozinho safado.
Adoro sonhos perturbadores.
No relógio marca as 8:00 cravadas. Levanto, faço minhas mentalizações costumeiras.
Pouco tempo depois já estou diante do computador trabalhando, é antevéspera de natal e tenho de correr, todos estão viajando e as editoras vão entrar em recesso. Preciso acabar meu projeto até às onze da manhã. O telefone toca, é uma especial companheira na Grande Trilha. Tem uma alma de bruxa tão aflorada que me fascina. Penso rapidamente se comento algo sobre o sonho de minutos atrás. Resolvo que não, mais tarde talvez. Ultimamente temos passado por desafios importantes, acho melhor deixar para mais adiante. Chega de pesadelos.
Começamos a falar sobre nossos planos de mudança. de tudo que queríamos alterar ou melhorar em nossas vidas. Penso que desejo que jogue o oráculo para mim, ela é boa nisso, tá no sangue. Bem, melhor não neste momento. Agora é hora de acabar a tarefa de logo mais.
Ficamos de nos falar mais adiante do dia...
volto à tela do computador, mas sinto algo em minha retaguarda. Uma vontade de me virar incontrolável. Viro-me.
Tenho a minha estante de frente, só a estante. Mas...espere, aquele livro. Deus, o que este livro está fazendo de cara, aqui nesta estante? Será coincidência? aquele livro que meu sobrinho pedira emprestado faz tanto tempo, alí. Quem o trouxe? quando?
Estico o braço lentamente e trago o livro ao alcance de meus olhos. Observo a capa com surpresa.
Dentre outras ilustrações, em destaque nesta capa se apresenta um escaravelho verde de malaquita no alto à direita e pela esquerda em baixo uma armadura medieval segurando uma longa alabarda. Fico olhando aquele livro, os sinais.
O que queriam dizer estes sinais? o sonho, o livro...

O que a linguagem sutil estava querendo me dizer? ... ...



por Ôbèron * Sexta-feira, Junho 11, 2004
o verbo:

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[Quinta-feira, Junho 10, 2004]

Quando olhei para ela saindo da sala onde todos a hostilizaram durante a apresentação de seu projeto, e antes de fechar a porta proferir charmosamente o comprimento "uma boa tarde para todos" feito linda Mata Hari mandando beijo para seu pelotão de fuzilamento percebi que estava errado no meu conceito em relação à sua pessoa em alguns pontos (ou em vários).

. sinais de malaquita .
parte I de VI

Ainda era escuro quando acordei. Parecia engessado, meio múmia meio Homem Bicentenário. Rolar para um lado e para o outro foi o que me limitei a fazer naqueles primeiros quinze minutos. Agora eu entendia exatamente o que caixeiro-viajante Gregor Samsa, de Kafka, sentiu quando depois de seu sono intranquilo despertou barata em sua cama.
Olhei para a direita onde estavam toda a parafernalha que deveria mostrar para a bancada do conselho no projeto do mês e, resignado, levantei com certo custo e largatiei até o banheiro, afinal o trabalho me chamava. Às vezes me pergunto quantos quilômetros tem entre meu quarto e aquele banheiro, acho que muitos.
Por uma fração de segundo pareceu-me ter visto um grande besouro verde na parede, numa visão meia etérea. Mas quando fixei os olhos ali nada vi. concentrei-me nas minhas higienes e fui logo rumo à agência.
Na confusão de carros e pessoas daquele dia que beirava o natal eu observava as gentes pelas ruas, pelas lojas. Sempre é complicado o movimento pela cidade nesta época. Enquanto dirigia ainda pensava na conversa que tivera dias anteriores com amigo sobre a grande onda vampírica que estávamos assistindo, e de como num passado recente lutávamos ferrenhamente contra isso e tudo que representava. De quantos de nós havíamos dedicado boa parte da vida para combater Demólatras (com o perdão do termo impróprio), Vampiros, Magos Negros carnados e desencarnados. E agora está tudo assim, mudado, chic e cult. Questionávamos se nossos conceitos estavam ultrapassados e obsoletos, desnecessários. Se tínhamos, devido a nova conjuntura mística, nos transformado em maniqueístas ranhetas, ou será o submundo havia dado o grande pulo do gato? Tantos filmes, abundante literatura, joguinhos, lojas especializadas, grupos... não chego a uma conclusão. Só não mais conseguia esconder que me chamava a atenção a grande egrégora Vampírica assumida que estava se formando em volta do planeta. Havia uma grande curiosidade coletiva em relação à Senda Drenadora, ao obscuro, ao caos. Seria isso o reflexo de nosso momento planetário? Ou um momento de sucesso dos debelados eternos que se escondem nos abismos profundos da Grande Esfera e de lá assopram silenciosos seus aromas em nossas almas? encosto o caro numa esquina e vou até um supermercado próximo da minha agência.
Dentro, caminho até a sessão de higiene e perfumaria. Desodorantes, cotonetes, o que mais? Passo a passo vou-me pelo corredor de gôndolas baixas. entre xampus e sabonetes sinto uma energia diferente direcionada para mim. A princípio não levanto o olhar e continuo a observar os produtos ao mesmo tempo que tentava decodificar e rastrear aquelas cutucadas astrais.
Agora observo as pessoas que por ali compravam, mirando uma a uma. Mas que, quando observo uma mulher quarentona me olhando com certo olhar pedante, quase debochado, mas altamente sexualizado, era dela que minava aquela energia. Usava em seus cabelos um Enê Marú castanho acobreado, traço finos e postura confiante. Fui andando pelo corredor ao seu encontro tranqüilamente, podia sentir uma energia densa, quase material vindo da mulher. Ainda me olhava com um sorriso confiante e com desdém. Ao diminuir para dois metros nossa distância percebi um detalhe verde em sua pele. Uma tatu de um escaravelho verde guardava seu colo. Veio como um relâmpago a lembrança do etéreo besouro do meu banheiro, explodindo em minha cara como uma torta de limão.
-Ê aí, maluco!! - batendo em minhas costas era meu amigo de trabalho. Me puxou de canto e começou a perguntar coisas sobre nosso projeto de logo mais. Ainda olhei para ela lá trás mas já estava caminhando para o caixa. Antes de sair ela ainda olhou para mim e saiu. Fiquei ligeiramente aborrecido com aquela abordagem dele pois me parecia ali que algo ficou por acontecer, que foi interrompido. Uma situação que precisava acontecer.
Ao estacionar em frente do trabalho, como de praxe, comprimento seu Rosalvo, capixaba que ganha seu dia vendendo cachorro-quentes ali em frente. Pergunto a ele: -E então, seu Rosalvo, lá na sua cidadezinha do interior do Espirito Santo o senhor ouvia falar em lobisomem e vampiros, essas pirações? ele olha pra mim, pensa uns instantes como quem escolhe o impropério a dizer e solta "olha, se você tivesse nascido lá eu certamente tinha ouvido algum assunto sobre estas besta-fera!". Eu não entendo por que ele sempre acha que estou de sacanagem com ele.
Vou até a sala de meus parceiros neste projeto e espero a hora da apresentação para o cliente. Mas ainda sinto algo pairando no ar, um "abalo na força", parafraseando Anakin Skywalker.
Sinto que algo quer me falar, os sinais aparecer, mas estou ansioso pela apresentação, não consigo captar as informações que batem em mim. É nestas horas que eu me ressinto de não ter praticado mais aquelas aulas de yogua.

ainda penso na situação interrompida...


por Ôbèron * Quinta-feira, Junho 10, 2004
o verbo:

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Há tanto por fazer, tantas realidades por mudar. Grande Unidade Celestial, não nos abandone na dúvida e na dor.Permita que nós, os mortais, nos aqueçamos na sua chama quente que a tudo acalenta. E assim então já não me sentirei mais tão só nesta noite que não finda.

Oh! Agni! Fogo Sagrado! Fogo purificador!
Tu que dormes na lenha e sobe em chamas
brilhantes sobre o altar, tu és o coração do
sacrifício, o vôo ousado na prece, a centelha
divina oculta em todas as coisas e a alma
gloriosa do sol.

Hino Védico

por Ôbèron * Quinta-feira, Junho 10, 2004
o verbo:

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[Quarta-feira, Junho 09, 2004]

Holliday in Europe

Que ótimo amanhã é feriado até em Portugal. Quebrou meus trabalhos que estavam atrasados até do outro lado do oceano. Bem, então o negócio é deixar correr...no stress.

por Ôbèron * Quarta-feira, Junho 09, 2004
o verbo:

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Upanishads

Aquele que cria incessantemente os
mundos é tríplice. É Brhama, o Pai; é Maya,
a Mãe; é Vishnu, o Filho. Essência,
Substância e vida. Cada um traz em si
os dois outros e todos os três são um no
inefável.

Doutrina Bramâmica

por Ôbèron * Quarta-feira, Junho 09, 2004
o verbo:

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O Yule que chega

Olhando a garoa que cai nesta tarde fria sobre a cidade de São Paulo, me vem a mente a lembrança de Yules passados, nesta que é a noite mais longa do ano. Acho que o solstício de inverno é o sabbat que mais mexe comigo, bate lá no fundo da alma. O frio, a aintrospecção antes do renascimento, o azevinho, o visco e tudo mais. Me vem a recordação de tantos outros. É sempre depois do Yule que chegam as grandes mudanças e realizações na minha vida em cada ano.
Vamos ver o que este Yule guarda para mim...para você,
para todos nós.

Salve o Deus renascido da hibernação.


por Ôbèron * Quarta-feira, Junho 09, 2004
o verbo:

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[Segunda-feira, Junho 07, 2004]

KULL - O vale das sombras (fragmento)

...Devo me render Deusa?
Eu devo morrer já?
Pois há grandes coisas que desejo fazer...
...Derrubar montanhas
e reverenciar o olho fogoso do sol...
...represar o oceano e capturar o vento em redes abertas...
... para então lançá-lo como brisa na direção dos amantes.
sonhar toda a sabedoria em uma noite e acordar sábio.
...E então, quando eu me mostrar digno de ser seu
companheiro, nos nos beijaremos até a própria eternidade
escurecer e morrer.

por Alan Zelenetz


por Ôbèron * Segunda-feira, Junho 07, 2004
o verbo:

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Deixa


Deixa eu e o meu cadinho.
Deixa eu e minha roupa rasgada.
Deixa eu e minhas andanças noturnas.
Minhas batas, minha espada e athame,
Meus gênios
e minha falta de lógica.
minha dança e meu assovio.

Não quero a sua salvação anunciada,
sua América católica,
funcional, engessada.
matrimonial e democrata.

Queres que eu use seus mocacins?
não aceitas minha alpercata,
de dedos nus.
Sou subversivo, antagônico, conflitante,
Deixa-me no meu círculo,
no meu esbath, de peito aberto,
em cantiga,
não obediente, como o carneiro de Abraão.
mas livre, como um potro de pan.

Não me julga, pois nesse tribunal serei revel.
Mas não fugirei de mim mesmo,
não mais.
Não adoro o Nazareno,
nem por isso sou corsário,
Lança longe de mim sua coroa de espinhos,
traga-me a girlânda de Urânia, cheia de louros.
Ela não carrega os bons costumes,
nem o prugatório,
Mas não quero o Paraíso de João,
desejo Valhala de Tera.
Não quero Maria,
imaculada e piedosa.
Desejo Babalon.
rubra,
lânguida e robusta.

Não quero beatas,
cativas.
quero bruxas,
lobas,
quero amar a mulher
como o cão ama uma cadela.
No chão, lambendo,
sem culpa, lascívo,
revelando meu cabritismo,
longe do pecado.

Você não entende meu amor lunar.
Abomina minha Gaia,
Pois ela não sussura hipócrita
nos umbrais das catedrais.
Ela grita alto nas campinas,
Ôbèron, amante de Titânia!

Se sou filho de Baphometh? talvez.
Ou de Cernunnos, de Vênus.
mas sou Corifeu e envitado.
Não tente calar meu uivo pagão,
pois não me terá nos coros
das ladainhas apostólicas.
Sou descendente e sou o ancestral.
este filho de Hecate não
beberá de tua taça,
não renderá sua alma ao pontífice,
esqueça-me.
Deixa eu e o meu cadinho.

eu e meu cadinho.

por Ôþèrøn

visite A religião Wicca quando puderem.

por Ôbèron * Segunda-feira, Junho 07, 2004
o verbo:

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Uma só flecha

A estrada a minha frente
É longa e estreita.
Só me restou uma flecha,
E meu velho cavalo
Mal se aguenta em pé.
Mas se for preciso
Voltar ao combate,
Arreio o cavalo,
Subo a sela,
Corajoso cavaleiro:
É hora de enfrentar
Minha última batalha!

É hora de escalar
Montanhas escarpadas,
Buscando alcançar
Meus próprios limites.
É hora de nadar
Contra a corrente
Dos rios caudalosos
Que rugem em minh'alma.
É hora de enfrentar
Arenosos desertos,
Em busca do oásis
De paz e de calma.
Mas a estrada à minha frente
Ainda é longa e estreita.
Só me restou uma flecha,
E meu velho cavalo
Mal se aguentava em pé.
Mas se for preciso
Voltar ao combate,

Arreio o cavalo,
Subo à sela,
Corajoso cavaleiro:
É hora de enfrentar
Minha última batalha.
. John York

por Ôbèron * Segunda-feira, Junho 07, 2004
o verbo:

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Apuléia

Creio que até quarta-feira o novo template estaja ok e todos os devidos links, vamos ver como ficará a cara desse Mausoléu...hehehe.

para comemorarmos sei lá o quê aí vai um fragmento de "Apuléia - Metamorphosis, XI, 4"
...No entanto sou a primitiva revelação, Alma do Mundo, sem princípio e sem fim, dentro do seio da Eternidade!
Já me fiz interpretar, inúmeras vezes, sendo assim decantada, na concepção e na fé: Eu sou a natureza, Mãe de todas as coisas, senhora de todos os elementos, origem e princípio dos séculos, suprema divindade, rainha dos Manes, primeira dentre os habitantes do céu, tipo uniforme dos deuses e das deusas. Sou cuja vontade governa os cimos luminosos do céu, as brisas salubres dos oceanos, o silêncio lúgrubre dos infernos, potência única, sou pelo universo inteiro adorada sob várias formas, em difewrentes cerimônias, com mil nomes diferentes...




por Ôbèron * Segunda-feira, Junho 07, 2004
o verbo:

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[Sábado, Junho 05, 2004]

parte 5
pensei: será mesmo? (desenredo)


O relógio marca vinte e três.
Sentado, estático, em frente ao computador observo a janela e o que passa através dela. A brisa. Ela me chama, não sei para onde, mas me chama para algum lugar. Lugar tão perto, mais perto que ao meu lado e tão longe que seria impossível chegar com uma viagem de mil dias, acredito.
Penso que meu dia tenha terminhado por ali, que todo o trabalho a ser feito fora feito, toda o sentimento foi experimentado e toda paranóia regorgitada pelo dia de hoje. Levanto da cadeira, caminho pelo pasillo até a cozinha e preparo um copo com água para saciar minha sede (pelo menos a do corpo). Enquanto bebo sinto uma sensação de reencontro. Tento enxergar algo na escuridão das lâmpadas apagadas da casa. Sabe aquela sensação do segundo que antecede a chegada de alguém? pois foi.
Nada. Estou só, dentro do meu mundo e fora dele. Da janela da cozinha posso ver as luzes acessas dos prédios quilômetros distantes. Penso se alguém que delas está iluminado esteja pensando nas questões que habitam minha mente e coração agora.
A luminosidade da geladeira faz-me ver as violetas em cima da mesa. Será aquilo, obra linda e delicada da natureza, feito de Deus? Darwin me basta para explicar sua breve existência para minha mente. Mas não para meu coração. Para ele o evolucionismo não satisfaz, não para meu coração. Falta algo.
É hora de dormir e não há mais tempo de divagar sobre essas coisas. Sento na beirada da cama, frente a frente com o espelho, comigo mesmo. Me pergunto quem está ali, naquele reflexo, se sou eu ainda ou outro duplo desconhecido que devagar se faz mais e mais presente roubando de mim o espaço que é meu, a certeza que era minha. Eu ladrão de mim mesmo.
Penso em tudo, no que é bom e no que não é,
na vida produtiva,
nas auroras de outono,
no medo do novo, do desconhecido,
em brincar quando se é criança, e em quando não se é,
em observar a pessoa que a gente curte dormindo,
em acordar procurando-a na cama ...e encontrá-la,
no milagre de ver um ser humano vir ao mundo através de você,
nas perdas inomináveis de queridos pela violência,
nas todas as sensações de violência,
no medo de ser amado, no orgulho de odiar,
nas aves que migram e atravessam continentes,
na cerveja,
na maravilhosa máquina humana,
nos prodígios do cérebro, nas quimeras do coração,
nas fúrias das procelas e na doçura das borboletas,
na rapidez que se locomove a cobiça e a ganância,
tudo, penso em tudo...
E em tudo está tão isento a idéia de alguma razão sobrenatural e ainda assim só se justifica em sua totalidade com a aceitação de uma presença subjetiva Gerante e Mantenedora.
Nada, e em nenhum momento, por mais que eu acredite nas teorias espiritualistas, nada me evidencia objetivamente na presença de um Deus ou nas Leis Divinas que regem o Cosmo e os espíritos, todavia nenhuma maneira de pensar objetiva explica llenamente o tudo, as coisas e sua ordem caótica.
Mas quem quer explicação, afinal?
Eu quero!
Deito na cama, estou zonzo. As crianças, o andarilho monocromático, a "mãe de todas as bombas", as cocotinhas, seu Rosalvo e a pedra fundamental, o rosário de madrepérola, o corsinha verde, as gimbas na calçada, tudo girava na minha mente em turbilhão. Imagens em desabalada que girando cortam para um único ponto, correndo como se para um buraco negro, um ponto cego. Uma palma.
Uma palma que apanha tudo e se fecha.

Silêncio,

agora tudo está em silêncio dentro de mim,
E no silêncio da minha mente uma voz surda se faz ouvir...
"Quem faz perguntas para o que não tem resposta? Quem quer entender o que não tem entendimento? Quem?"

Silêncio,
Reconheço aquela voz, é um espírito Guardião, executor da Lei. ...Há quanto tempo...

Eu escutei realmente aquilo? Ou seria mais um delírio em meio ao meu momento insano? ...eu e minhas interrogações. Não ouso investir contra ele com meu arsenal de interrogações mentais, não se brinca com ele, é um Guardião de comportamento seco e grave. Ele parece incorporar Oneiros (que ele não escute essa), o senhor do sonho, e na sua aproximação entro em sono profundo.

finalmente desligado...

Ainda me lembro que meu último pensamento foi que acreditava que estas questões permaneceríam na minha alma até o último instante da matéria... e talvez até depois dele.

Só Ele sabe do Mistério final.

¿pero...sera mismo?


Ôþèrøn
¿


São Paulo, 26 de Março de 2003



por Ôbèron * Sábado, Junho 05, 2004
o verbo:

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parte 4
penso: será mesmo? (a caminho do fim)


Invado a agência com cara de Tarantino, assim medio tonto medio psicopata, cumprimento toda a mundiça e vou até o BigBoss. Enquanto conversávamos olhava pela janela o da Consolação. Aquele multidão de carros lá embaixo passando pra lá e pra cá, para onde será que vão? de onde chegam? Que aflições e alegrias guardam cada ocupante daqueles carros? fico completamente absorvido por aquela paisagem mistura de O grito de Munch e Guernica de Picasso, caos e beleza.
Escuto de longe meu chefe resmungar: "Olha, quando você quiser prestar atenção me diz que eu continuo". Sem tirar o olho da janela respondo: "olha aquele corsinha verde ali indo pro túnel, pra aonde ele será que vai?" Ele: "pro tunel, cacete! vê esse lay out aqui, p..." Eu remendo: "não, cara! viaja um pouco aqui! pra onde ele quer ir, quem tá lá dentro? catzo! qual sua história?" O Boss: "sei lá, infeliz! quem vai saber da sua história?! acho que nem ele!" ... ... ...
"acho que nem ele!". É isso mesmo, pensei comigo. Nem ele mesmo. Ninguém sabe de sua própria história, simplesmente esquece conforme os dias se passam. Esquece-se das passagem, dos atos, dos personagens principais e coadjuvantes conforme se fecha a cortina do espetáculo de cada dia. Pelo simples motivo que ele estava tão concentrado em representar o personagem que o mundo lhe impôs que ele mesmo não era espectador da história de sua própra vida. Era um figurante de sua própria peça. Será isso?
"nem ele sabe" - foi o que ele disse.

Conversamos mais uns cinco minutos e fui-me com meu trabalho de amanhã debaixo do braço..

No carro novamente, desta vez à caminho de casa, ligo o rádio, sintonia 106.3FM e está tocando November Rain do Guns. Por algum motivo lembro daquelas crianças da clínica. Seus sorrisos sinceros, seus olhares tristes e suas cabeças nuas. Mudo de estação, 90 e poucos MegaHertz, e lá aparece quem? Cole Porter (é assim que escreve?). Cole Porter? não, não se escuta Cole Porter quando se está em crise. Coloco meu blues e saio avenida à fora...
Continua presente em minha mente a aparente falta de sentido de tudo à minha volta e ao mesmo tempo a mágica presença de algo incrivelmente Maior que É razão de tudo.
Olho pra fora, as cocotinhas caminhando pela calçada. Para dentro, a bússola no console do meu carro que sempre sabe para onde apontar, tenho inveja dela. A que ponto cheguei, com inveja de uma bússola. Tiro o blues e no radio, 107,3Fm, toca Pain Lies On The Riverside, Live. Lembro de uma namorada que tive, ela adorava esta música, adorávamos aliás. A cantávamos juntos, alto, no carro sem se importar com os outros que estariam vendo aquela dupla de loucos... Ela era legal. Como será que ela está? Por onde anda? será que casou? tem filhos, o que estará fazendo agora neste exato momento? Difícil saber. (lembro daquela música Right Now do Van Hallen).
Agora em casa, já são cinco e pouco da tarde. Chego em meu escritório, vou ver minhas correspondências eletrônicas. Nisso o telefone toca, é uma amiga especial. Daquelas que a gente conversa sobre coisas que evitamos falar com outros. Adoro aquela menina, acho que foi um anjo ou algo assim que a colocou no meu caminho. Comento sobre algumas coisas da clínica, do câncer, da incerteza eterna da vida, da certeza instantânea da morte. Ela, certo momento, diz: "Cê diz cada coisa...", dou risada das minhas próprias brincadeiras em relação a minha vida. É, talvez eu esteja sendo um pouco obscuro, sei lá... acho que mudamos de assunto.
As horas passam...ya es noche. Paro um instante de teclar o roteiro em que trabalho. Olho para fora e tenho o ímpeto de ir até a janela. Ah, a brisa da noite bate em meu rosto. Vou para fora. Vou para o alto da casa. Os ventos alícios da noite fazem minha memória dar um salto no passado, anos atrás. Onde eu, quando menino, subia no muro de casa e sem camisa abria os braços pra sentir o vento me abraçar, me levando pra bem alto e pra bem longe, lá nas nuvens(você fazia isso também?), onde eu cria que haviam castelos acentados, e eram habitados por grandes heróis guerreiros.
Fechando os olhos eu era quase capaz de me ver criança, aquele vento batendo em meu rosto era quase uma entidade viva ali, com a capacidade de falar comigo. Senti uma presença. Algo forte e suave, era manifestação que nestes últimos tempos tem se apresentado pra mim, uma mulher de bata, muito bonita e que exala sabedoria e diciplina. Parece algo ancestral. Sorrio para ela. Vejo que há "mais gente" na sua retaguarda mas não posso "vê-los" definidamente.
Me sento no mural e fico fitando o céu poluidamente estrelado de São Paulo enquanto, sinto a presença daquela mulher. Sinto que ela quer me dizer um nome (ela já tentou antes) mas não estou tranquilo para assimilá-lo.
Olho pro firmamento. Tão gigantesco, tão grande que contém toda a grandeza. Tão belo e misterioso. Como eu queria ver nesse momento uma estrela cadente...
Lembro que tenho de acabar o meu roteiro, vou descendo as escadas, ainda olho para trás mais uma vez. Não a vejo mais, mas ainda sinto sua presença. Me sinto confortado por sua linda visita.
Esta noite de terça, 25 de Março, promete...

Meu coração está tranquilo, mas minha mente ainda fervilha. Antes de entrar inspiro profundamente a brisa daquela noite. Ela, a brisa, me conta que está trazendo em seus braços uma surpresa, um presente talvez...

...aguardarei.

pensei: ¿qué hay de vir?

Ôþèrøn
¿


São Paulo, 25 de Março de 2003

por Ôbèron * Sábado, Junho 05, 2004
o verbo:

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parte 3
pensei: será mesmo?...(quase desfecho)


Saio pela rua a caminho do estacionamento donde deixei meu carro. Vou observando o caos, as pessoas, o pardal no fio, a sujeira na sarjeta. Tudo tão aparentemente conflitante e tão ilusoriamente organizado.
A mãe arrastando a criança que joga gameboy, o motoboy falando com gestos largos do outro lado da rua, o aposentado trabalhando de placa-humana, as milhares de guimbas de cigarro esquecidas no passeio. Tudo tão aleatório e tão cheio de propósito de ser e estar.
Chego no estacionamento e fico a espera do meu carro. Neste meio tempo olho pra fora, lá na rua, vejo um velho maltrapilho monocromático (sim, parecia que ele tinha uma única cor, ele e sua roupa), deitado. Tinha um aleijão e suas pernas retorcidas eram depositárias de várias chagas. Pensei comigo: Será que eu tenho o direito de imaginar que aquele ser humano está pagando por algo que fez ou que deixou de fazer no passado (deve ter sido bem punk sua ficha cármica)? penso novamente: E o direito de imaginar que, se havendo um Deus, Este trouxe aquele homem na Terra pra sofrer assim por pura pilhéria, eu tenho? tenho este direito?
Pego o carro e parto pela Alameda Santos. O trânsito ali sempre é enjoado. Ligo meu rádio e coloco pra tocar meu blues. SolonFishbone e Los Cobras, blues de primeira linha. Reparo algo balançando no meu retrovisor, é meu terço que ali está enrolado ha tempos, presente de uma tia freira já morta (espero que ela tenha encontrado Jesus, ela resava tanto, a vida inteira). Fico olhando pro terço, observando aquele que não deixava de ser um símbolo do Mistério.
Observo pra minha direita e vejo os ocupantes do carro ao lado, emcima do painel deles há uma bíblia e num dos vidros um adesivo:"servos do altíssimo". Tenho por alguns instantes o impulso de descer o vidro e gritar pra eles: "Deus não existe!!" só pra ver o que eles respondiam... ...melhor não, vai que eles têm uma pistola ali e resolvem defender suas convicções de maneira mais enfática, melhor não...é, melhor não.
São quatro da tarde, resolvo que dá pra dar uma passada na agência rapidinho pra ver se tem trabalho e dar um its ok pra galera. Pego o retorno e continuo dirigindo e queimando a minha mufa.
Que ordem é essa? será que Deus existe? e como Ele não haveria de existir? Lembro que sempre acreditei que o Grande Espirito, a Consciência Una era nada mais que a união de todas as consciências em todos os mundos em todos os planos isentas da individualidade, aquele papo de antes da queda dos anjos, reino virginal e coisa e tal...
Cria que Consciência Una nada mais era que uma maneira de chamar a nossa União sem consciência da individualidade. Pensava assim, que uma vez que nos fragmentamos e caímos (pelo menos parte de nós) a Consciência Una deixara de existir, e que Ele passou a habitar a tudo e em tudo, mas a Unidade deixara de existir, então...Ele deixou de existir? pensava então: Será que Ele é uma maneira que os Grandes Espíritos, elevados nas Hierarquias, encontraram para termos um ponto de coesão com o objetivo de resgatarmos novamente para a Unidade (que não existira mais)? isso me pareceu tão absurdamente plausível naquele momento insano.
Sabe, alguns dizem que os egipcios não colocavam a pedra angular (a pontinha) nas pirâmides, a chamada pedra fundamental, pelo motivo de que achavam que ela (a pontinha) ou a falta dela representava o Uno, a união dos quatro, era o resumo em espirito de todo o resto da pirâmide (nem sei se essa teoria é vera) logo não deveria ser acentada. Pensei comigo: Será que Deus é como a pedra angular? nunca esteve lá (pois não foi colocada), e sempre esteve (pois é o resumo de todo o resto) sem nunca ter estado?
Estaciono o carro em frente da agência, olho pro Seu Rosalvo, capixaba vendedor de cachorros-quentes que faz sua féria diária por ali, e penso em puxar conversa com ele sobre a pedra angular, carma coletivo e kali yuga, mas imagino que ele pode ser meio mal criado comigo, o cara sempre acha que eu tô de sacanagem com ele.
Já quase entrando dou meia volta e grito pra ele: "seu Rosalvo, o que o senhor acha do reino virginal?!?!?" ele olha pra mim, levanta o braço e delicadamente, pra não chocar os clientes, faz-me um gesto obsceno com sua mão capixaba. Penso: "fdp"...
Comigo imagino o que será que os mentores e gênios de minha vida estão pensando vendo-me assim, questionante de tudo, das bases, deles mesmos. De mim mesmo...

Que será isso?
Ôbèron em crise?
estarei eu precisando de um pastor, de um pai de Santo?
de um DryMartini ou de um picote?


penso:¿Qué se pasa?

Ôþèrøn
¿

São Paulo, 25 de Março de 2003


por Ôbèron * Sábado, Junho 05, 2004
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parte 2
pensei: será mesmo?...(continuando...)


Enquanto aguardava ali, pensava. Pensava que sempre se atribui as coisas boas e lindas do universo aos Deuses e os infortúnios aos homens, ou pior ainda aos demônios. Pensei se a coisa era tão certamente bilateral assim, e se não era mais multifacetada. De momento esse maniqueísmo generalizado pareceu-me tão fundamentalista.
Ao mesmo tempo que a idéia de Deuses humanizados caprichosos e virtuosos parecia-me tão cabível ali, conflitava com minha postura de sempre de uma Consciência Una impessoal, inefável e detentora de todos os Universos. Tendo-os e Sendo-os.
Ri comigo mesmo pensando na situação de eu vir a exteriorzar esse meu pensamento pra alguém, possivelmente diriam o que já ouvi tantas vezes: "que heresia!", ou "é em momentos agros que devemos pensar em Deus pra que ele nos ajude a ultrapassá-los", ou "é pecado duvidar de Deus, de sua bondade! vê se pode?"
Seja como for sempre evitamos pensar ou questionar as coisas de Deus, como sê com medo de sua revolta, ou de um castigo e revés da vida por isso. Pode ser, mas esse pensamento estava presente em mim, mais uma vez.
Vi uma revista que falava dessa guerra que é assunto de todos agora, pensei naqueles civis, nas crianças. Será que aquelas que morrem ou são esfoladas realmente mereciam? será que um carma pessoal de outra vida ou carma coletivo? ou Deus permitiu para que os homens assistissem sua própria cólera e insanidade? Ele então lavou as mãos? ou está querendo que aprendamos com nossos erros? Ou simplesmente aconteceu de aquela pessoa estar debaixo daquela bomba? uma casualidade. Impossível saber. A resposta certamente mudará dependendo de quem for responder.
Para mim seja qual for a resposta certas coisa me fazem tender a crer que nem tudo é gerenciado, que tenha causa ou motivo, que tenham um responsável ou culpado.
Para horror de muitos amigos espiritualistas digo vez por outra que acredito na casualidade dos acontecimentos, que o mundo e o universo é um mix de acontecimentos com causa e motivo e outros que simplesmente acontecem sem que haja culpados, articuladores ou bondade, descaso ou caprichos divinos.
Quando saí da clínica observei as pessoas que transitavam por ali, pareceu-me tudo tão caótico, sem qualquer controle aparente. Ao mesmo tempo era impossível crer num emaranhado de situações que se interagem sem houvesse alguma espécie de tutela, de gerenciamento...

Penso comigo: ¿qué orden es esta?


Ôþèrøn
¿

São Paulo, 25 de Março de 2003



por Ôbèron * Sábado, Junho 05, 2004
o verbo:

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25 de março de 2003, essa era a data...

Hoje pela manhã, conversando com um amigo meu, comentávamos sobre uma série de mensagens que postei na net referente ao dia 25 de Março do ano passado. E nessa conversa ele me pediu que colocasse aqui again...pois bem, lai vai...


parte 1
Perguntei: será mesmo?

Hoje estive em uma clinica de Oncologia acompanhando um grande amigo. Lugarzinho cabuloso aquele. Apesar de parecer-me mais um hotel era só prestar um pouquinho de atenção que se podia sentir a apreenção e desconforto típicos de um hospital.

Enquanto aguardava na sala de espera e lia uma Época de épocas passadas, observei uma bela garota de cabelos ruivos que estava a minha esquerda, pensei comigo "que será que ela é uma paciente ou acompanha algum enfermo?". Me afligia, confesso, ver tão jovem garota podendo ser mais uma vítima desses cânceres infelizes. sim, pois ela não deveria ter mais que uns quatorze anos. A galera espiritualista (sendo que deles faço parte) defende a idéia que é a concretização de aflições do espirito o processo tumoral, mas confesso que tenho dificuldade de acreditar nisso as vezes.
Enquanto observava-a percebi uma nuvem negra ao seu lado, nuvem mesmo, tipo cumulum nimbus (acho que é assim que se escreve). Olhei melhor esta manifestação e vi que se abria. Abrindo lentamente me apareceu uma paisagem natural e nela uma pessoa. Continuei a fitar, quem seria aquele que se apresentava tão fagueiramente diante de mim? Como não conseguia ve-lo fechei os olhos para ver se enxergava-o. Perfeita, perfeita a imagem que se mostrou. Um senhor sorridente se projetou daquela nuvem e chegou até a mim dizendo "Olha colega, meu nome é Carlo Marís e quero te pedir uma coisa se não te encomodar, diz pra minha neta aqui que eu vou ficar bem e que é pra ela não sofrer mais por mim."
Abri os olhos ainda surpreso com a intensidade do acontecido, observei a garota que estava de cabeça baixa, pensei comigo o que ela acharia de eu fazer o que seu Carlo me pedira. Provavelmente me acharia um louco ou que era um maneira bem original de flerte. Mas o que tem de ser feito tem de ser feito...
Caminhei até a garota e perguntei se era paciente, ela disse que sim, leucemia. Hmm...leucemia, como isso maltrata o corpo de quem sofre com ela, trocamos mais algumas frases e relamente percebi sua angústia brotada da perda. Olhei pra garota e disse-lhe "Menina não sofre, seu avô, o Carlo Marís te pediu, não sofre por ele. Ele tá bem aonde está". Ela olhou pra mim assustada e perguntou o que era aquilo, se era alguma brincadeira. Disse que não, falei também que seu avô pedira pra jogar no mar seu rosário que ela carregava em sua bolsa desde sua morte. Foi então que ela visualizou que poderia haver algo de sério no que eu estava dizendo. Abriu a bolsa e retirou de lá um rosário de madrepérola do velho. Tivemos um abreve conversa. Os minutos se passaram e o acontecido também.
Voltei pro meu lugar. Enquanto esperava o tempo passar comecei a observar três crianças que esperavam por sua consulta, todas de cabeças peladas, sorriam e brincavam, mas pecebia-se nitidamente seu sofrimento. Pensei comigo o que poderia ser dito pra explicar tal expiação, se realmente as teorias espiritualistas de autodestruição poderia explicar aquilo. Pensei que era tão incoerente julgar que aquelas crianças eram vitimas de si mesmas talvez de dividas de outras vidas. Imaginei que talvez nem tudo que aconteça nessa vida seja planejado ou que tenha um motivo. Que haja um arquiteto que não lhe escape nem um único detalhe. Minha avó dizia que não caía uma folha sem que Ele quisesse. Mas pensando derepente ali, aquilo me pareceu não valer tão inexoravelmente. Imaginei que talvez lhe escapolisse acontecimentos. Igualmente em qualquer empresa bem administrada onde um empregado qualquer por uns instantes para de trabalhar ou leva um clips ou um calhamaço de folhas limpas pra casa e jamais é de conhecimento da empresa. Os gerentes não deixam de existir, mas certos acontecimentos rolam à sua revelia. Pensei.
Pareceu-me tão conveniente pensar assim (e pensar o contrário também). Imaginei até que não existisse essa Onisciência e Onipresença ensinada a mim, tão ISO 9000. Acreditei na caoticidade dos acontecimentos. Que talvez tudo fosse uma mistura desse controle Tutelar tipo "Grande Irmão", com o caos do casuísmo biológico.
Por que uma criança no ventre de sua mãe é abortada pelo método do desmembramento? que infração pretérita justificaria tamanha crueldade e brutal fulminaçao? será que um carma pessoal? ou coletivo? talvez, mas olhando aquelas crianças naquele momento cheguei a rechaçar isso e atribuir a um acaso biológico, coisa inimaginável pra qualquer espiritualista que se preze. Mas pensei.

perguntei: ¿sera mismo?


Vida longa a todos!
Ôþèrøn

¿



por Ôbèron * Sábado, Junho 05, 2004
o verbo:

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[Sexta-feira, Junho 04, 2004]

Pra quem não conhece Djembe, dá um linkada aqui pra escutrar algumas músicas dessa banda e viaja nesse som.


por Ôbèron * Sexta-feira, Junho 04, 2004
o verbo:

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quem ligou a vitrola?

O que o Renato Russo tá fazendo batendo no vidro da minha janela?
Vai, pula pra dentro que aí fora tá frio pacas..

CONECÇÃO AMAZÔNICA
(Renato Russo/Felipe Lemos)

Estou cansado de ouvir falar
Em Freud, Jung, Engels, Marx
intrigas intelectuais
Rodeando em mesa de bar
Yeah, yeah, yeah

O que eu quero eu não tenho
O que eu não tenho quero ter
Não posso ter o que eu quero
E acho que isso não tem nada a ver
Yeah, yeah, yeah

Os tambores da selva já começaram a rufar
A cocaína não vai chegar
Conecção amazônica está interrompida
Yeah, yeah, yeah

E você quer ficar maluco sem dinheiro e acha que está tudo bem
Mas alimento pra cabeça nunca vai matar a fome de ninguém
uma peregrinação involuntária talvez fosse a solução
Auto-exilio nada mais é que ter seu coração na solidão
Yeah, yeah, yeh.

Legal, legal, Renato é legal, mas agora dá pra colocar o Djembe por favor....

obrigado.


por Ôbèron * Sexta-feira, Junho 04, 2004
o verbo:

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O dia tá acabando e a semana também.

É, apesar de corrida ela foi bem produtiva.
Daqui a pouco vou trombar com uma garota que tem uma alma de bruxa exuberante. Nossa, ela ainda tá desabroxando pras coisas da magia e tal, mas carrega consigo a alma da bruxa. Uma bruxa de Asas Azuis. Estarei sempre ao seu lado, para apoiar nos momentos difícieis e dividir as alegrias quando estas chegarem.
Sem dúvidas uma boa e antiga companheira na Trilha Sagrada, na grande Arte.

Que os Deuses abençoem nossa caminhada.

por Ôbèron * Sexta-feira, Junho 04, 2004
o verbo:

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nos bancos das madrugadas frias de Sampa

Estou pra fazer algo que ha muito não faço, é coisa de louco mas como senti saudades disso. Sabe eu andava muiro na madruga pelo centro velho de Sampa, e bem no encontro da Av Ipiranga com a Av da Consolação eu sentava num banco dum ponto de taxi que nas madrugas sempre estava vazio e ficava lá por algum tempo, vendo o nada acontecendo, às vezes olhava mais pro lado da Barão de Itapetininga onde as garotas de programas e os michês faziam seu expediente, era o único movimento por ali pelas madrugadas de meio de semana. Às vezes estava sozinho, às vezes com amigos ou garota.

Puxa, como eu era louco, mas como estas coisas me fazem falta. Se fecho os olhos ainda posso me ver sentado lá. Loucas noites loucas aquelas. Algumas vezes esticávamos pala a Bela Vista e nos abrigávamos ema algum barzinho aberto. Acho que isso já faz uns dez anos (ou mais...rs).
Nem sei por que lembrei disso agora, acho que o frio me traz estas lembranças no vento gelado, ou talvez o passado pedindo passagem para se transmutar em presente na expiral do tempo.

por Ôbèron * Sexta-feira, Junho 04, 2004
o verbo:

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[Quinta-feira, Junho 03, 2004]

3 a 1 pra não linearidade do tempo

Como se agitam no imenso Universo,
como rodopiam e se buscam, as almas
inumeráveis que brotam da grande alma
do Mundo! Elas caem de planeta em
planeta e choram no abismo a pátria
esquecida...São tuas lágrimas, Dionísio...Oh!
Grande Espírito. Oh! divino Libertador!
Recolhe tuas filhas em teu seio de luz.

Fragmento órfico

Realmente mamãe tinha razão, eu sou esquisito.
Esquanto todos comentavam pelas ruas e tabernas o 3 a 1 de ontem emcima de nosotros hermanos argentinos, eu discutia a não linearidade do tempo e os cultos dionísicos com dois comparças de caldeirão. Enquanto eu argumentava que cria que a linha do tempo era uma espiral e não uma reta e por isso acreditava que presente poderia estar a frente do futuro e antes do passado dependendo do ponto da espiral a qual se observa, eu pensava com meu lado (reduzido) mais são do cérebro: "pôxa, será que sou assim tão louquinho? as pessoas aqui desse caffé devem estar achando a gente um bando de chapados. Logo a polícia vai chegar pra dar geral tentando encontrar o papelote." Melhor dispersar antes da casa cair. : P

putz...e eu teclando aqui e meu cafezinho esfriou aqui na mesa. Mas ainda acho que que os tempos coexistem. Pero puedo estar a ponerme loco.

por Ôbèron * Quinta-feira, Junho 03, 2004
o verbo:

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Frio, escuro e solidão

Ontem na madruga foi muito bom. No frio, todos nós reunidos naquele bosque...uau! foi especial.
Deixa chegar este final de semana que vou dar um tapa neste blog, dar uma cara pra ele.
Agora eu tô saindo pra uma reunião do conselho dos encapotados...heheheheh....
No caminho provavelmente passarei por uma praça onde tem um monte de pessoas que morram na rua...neste frio é de lascar. Parecem invisíveis, todos passam e ninguém percebem sua presença por ali, ou não querem perceber.

Puxa, esta mala com minhas coisas está realmente pesada hoje. É, Ôbèron, vida de bruxo é isso mesmo.
Que os Deuses protejam a todos!

Vou-me pela noite escura e fria de São Paulo mais uma vez.

por Ôbèron * Quinta-feira, Junho 03, 2004
o verbo:

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[Quarta-feira, Junho 02, 2004]

somente pelos Deuses eu saio pra fora nesta madrugada. O gelo está grande e o vento está maravilhosamente cortante. Lua cheia, você deve estar em algum lugar aí acima dessas nuvens que eu vejo.

por Ôbèron * Quarta-feira, Junho 02, 2004
o verbo:

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Como teria sido?

daqui do Terraço Itália, olhando pelas janelas imagino como teria sido a São Paulo de 50 anos atrás. De alguma maneira algo me chama para mergulhar anos atrás.

tomando meu martini no bar olho para fora e vejo ontem, pela madruga, quando conversando com meus amigos velhos de bruxaria relembrávamos as noites sem fim que passamos no jardim inclinado do Centro Cultural São Paulo falando de mil loucuras, bruxaria, literatura pesada, insanidades que nos levavam ao limite da loucura.
Depois que todos foram embora, ficou eu ali, parado, no frio, onde o unico movimento era meu halito quente dançando no vento frio da cidade.
O colorido do bar acabou e o piano já não tem graça, melhor eu ir...

Antes de sair ainda olhei a cidade lá embaixo, as luzes e imaginei quantas pessoas existem nesta metrópole que eu jamais irei ao menos ver de relance por frações de segundo. Humpf...pirações.
Agora já está bem adiantado o andar do relógio, preciso retornar em casa e me preparar e preparar todas as ferramentas sagradas para o ritual de logo mais na madrugada, a noite está perfeita para os processos da lua cheia.
Mas volto a pensar, como terá sido?


por Ôbèron * Quarta-feira, Junho 02, 2004
o verbo:

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